Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

Ainda acreditas na Magia?

 

Querido pai Natal,

 

Este ano, bem... como todos os outros... queria pedir muita paz, muito amor, muita serenidade e muita união. Queria que não houvesse sofrimento, fome ou pobreza. Queria que as pessoas fossem felizes e que vivessem em harmonia...

 

Pois bem, sabem qual é que é o problema dos pedidos de Natal? Mais parecem as argumentações finais das meninas concorrentes ao Miss Mundo. Não me levem a mal, que isto a seu tempo irá fazer sentido. Tal como dizemos às crianças que se devem portar bem e ter boas notas na escola para que o Pai Natal lhes dê uma prenda, os nossos pedidos genéricos, são... bem... uma utopia.

 

Afinal de que vale a pena pedir paz no mundo, se nem somos capazes de a fazer acontecer. Seríamos realmente capazes de a manter? Pois, não me parece plausível. E de que vale pedir a uma criança para ter boas notas se ela infelizmente não foi dotada pela inteligência ou pior, se ela achar que o único propósito da vida, é ser melhor que todos os outros?

 

Que tal em vez de pedir a paz, avaliarmos a cada final de ano, o que fizemos nós por ela? Começando por nós mesmos, passando pela nossa família e entranhando-se pela nossa vizinhança, pela nossa comunidade, pela nossa cidade... Que tal em vez de pedir boas notas, passarmos a estar presentes e ensinar o empenho, aquele que se for dado com todo a sua força, garante sempre o melhor de nós mesmos, seja reflectido num estrondoso 20 e quem sabe num 10 totalmente suado e recompensador?

 

A verdade é que os pedidos de Natal parecem ter-se confundido com os pedidos do Gênio da Lâmpada. Pedimos paz, amor e alegria e ficamos à espera que apareça. Até que passa mais um ano e nada se realiza, e mais um, e mais um... Ok, tirei a magia ao Natal, mas sinceramente, não acho que a magia resida em pedir desejos. Para mim a magia está em simplesmente acreditar, aquilo que parece já não ser um acto de sabedoria nos dias que correm e passou a ser um acto de ingenuidade ou total estupidez, se retirarmos as pantufinhas à expressão.

 

Pois é, a magia, a essência do Natal, perdeu-se por detrás das magoas, do desespero, do desalento e da tristeza, da injustiça e dos sonhos destruídos, da falta de compaixão e do desamparo. Mas como ainda acredito nela – na magia - estou confiante que se pode recuperar desta franca pancada que a vida nos dá a todos. (Bem, a magia decerto, desapareceu da pesquisa de imagens do google!) Mas mesmo assim, acredito que se conseguirmos ponderar e trabalhar sobre o assunto, também conseguiremos voltar todos (ou quase todos, que já é uma conquista, ou algum tipo de grupo significativo...) a acreditar na magia. Aquela que nos torna mais genuínos, mas amáveis, mais solidários, mais apaixonados, mais vivos por dentro e...bem, atrever-me-ia a dizer – mais felizes!

 

Acredito na magia que nos torna melhores pessoas e faz com sejamos nós próprios a realizar os nossos desejos, porque afinal, continuam a ser os desejos comuns da humanidade. Deveria ser fácil alcançá-los se realmente trabalhássemos para eles pessoalmente. Assim da próxima vez que escrevermos a nossa carta ao Pai Natal, deveríamos pedir ter força suficiente, coragem suficiente, integridade suficiente, valores, ética e responsabilidade suficientes para conseguirmos mudar a vida de alguém para melhor, nem que seja só a nossa. O que seria já de si, uma vitória. Porque a bem ver, se todos conquistássemos o mesmo, então não teríamos o que tanto pedimos? E o melhor é que estaríamos a partilhá-lo com toda gente.

 

Por isso, desejo-vos um Feliz Natal e que todos os vossos desejos, sejam neste ano que se avizinha, uma conquista diária, duma caminha tocada pela magia que ainda vive, em cada um de nós ;)

publicado por murimendes às 12:28

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

Estilo de Vida Positivo de Vanessa R. Dias

 

 

Este é claramente um livro escrito por uma pessoa dotada de conhecimento, mas acima de tudo, dotada de uma vontade inabalável em tocar às vidas de quem a rodeia. É uma exposição que parte da alma e a cada página que vamos desvendando, é fácil apercebermo-nos que a intenção da autora, não se prende a um simples debitar de factos teóricos. Pois ao colocar-se numa posição de vulnerabilidade, a autora consegue transmitir nas suas palavras, emoção, numa verdade dura e crua, que vai para além da ciência.

 

E é ao colocar-se no mesmo patamar que os leitores, que a Vanessa R. Dias consegue abrir uma passagem de confiança e esperança. Por isso mesmo, esta obra acrescenta algo mais a quem a lê. Ao mostrar não tão somente o que já devíamos saber, como também criando um despertar e uma vontade de lutar, por nós e por quem nos rodeia, a bem de uma felicidade comum – que é a única forma de poder vivê-la, em plenitude.

 

Num tom pratico e numa escrita simples e fluída, a autora relembramo-nos que a felicidade é para todos! Não é um estado estático exclusivo de alguns sortudos, mas um modo de vida consciente que nos obriga a abraçar a incerteza e a praticar o “ser”. Não basta assim almejar a felicidade é preciso conquistar este modo de vida positivo e gratificante.

 

http://www.eu-edito.com/estilo-de-vida-positivo.html

 

https://www.facebook.com/estilodevidapositivo

 

http://vanessarosadias.blogspot.pt/

publicado por murimendes às 16:07

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Porque não, ser a solução?

 

Parece-me que há séculos que não tenho pegado na inspiração, para deixar a minha alma no papel. Mas a verdade, se é que vos interessa saber, é que estou cansada. Parece-me um ciclo vicioso, em que pessoas formidáveis entram na minha vida e me fazem sentir que tudo é possível, até que a cada dia que passa o resto do mundo me puxa para baixo... E um dia acordo e nada parece valer a pena. O papel não parece merecer sequer as minhas palavras, o mundo torna-se um lugar frio e feio, repleto de pessoas cinzentas, amarguradas e frustradas, que parecem apenas sentir-se preenchidas, se arrastarem mais um sonhador desprezível, para o buraco delas.

 

Já dei à volta à questão por todos os prismas que consegui visualizar...e não entendo, a sério que não percebo mesmo. E por isso, a cada olhar cinzento que se abate sobre mim, começo a desacreditar-me e a duvidar de mim, da minha visão, dos meus propósitos. Começo a pensar, se não deveria desistir, atirar a toalha ao chão, entrar neste mundo podre, onde tantos parecem viver pacificamente, sem grandes sobressaltos. Sem se chatear com nada, sem lutar por nada, sem solucionar nada. Deixando-se apenas estar, apenas ficar, apenas sobreviver.

 

Mas eu sei que é um dia, um dia menos bom, um dia ao qual não devo dar demasiada atenção. Porque também sei que o mundo não muda à custa de pessoas sem sonhos. O mundo não se equilibra à custa de desistentes, à custa do negatisvismo e da ausência de ambição. O mundo não muda pelo conformismo, nem pela luta sem intuito. O mundo não muda, se nós não mudarmos por ele e nós não mudamos se não aceitarmos esta abrangência.

 

E por isso, deixo que este dia me atropele, com toda a sua força, esperando amanhã reerguer-me, com mais força ainda. Porque na verdade, existem mesmo pessoas fantásticas que tudo fazem para iluminar o dia de quem as rodeia. Pessoas maravilhosas, que certamente como eu, têm dias maus, em que chegam à conclusão que mais valia desistir e deixar o mundo morrer. E por isso, amanhã tenciono acordar de novo, sonhar de novo, viver de novo, porque certamente haverá uma pessoa que irá precisar de ouvir o que tenho para dizer. Certamente haverá alguém que precisará de uma palavra amiga, uma ponta de esperança, tudo para que o seu dia se ilumine de novo.

 

Por isso mesmo, amanhã voltarei a ser eu, no meu mundo, onde sei que a minha presença  tem valor. Onde as minhas acções causam reacções. Onde menos é mais. Onde as metas alcançadas, são fruto de todo o meu trabalho. Onde me é permitido desenhar em liberdade os contornos da minha vida e abraçar o meu futuro, com um pouco de sorte, levando comigo, um pouco mais de sabedoria e esperando espalhar o mesmo pelo caminho.

 

É difícil estar deste lado, mas até agora, parece-me ser o melhor lado para se estar, só tenho de começar a acreditar nisso, apesar do número mínimo de apoiantes...

publicado por murimendes às 18:17

link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

A sobrevivência do mais apto?

 

Ontem enquanto estava a ver a estréia do novo Masterchef USA, pela primeira vez, apareceu uma concorrente cega... Não sei bem porquê, mas o meu primeiro comentário (parvo, diga-se de passagem) foi “Bem, ela até pode cozinhar muito bem, mas se a passarem, como poderá estar à altura? Os desafios, são muito rápidos e ela sem ver, não os pode acompanhar”. Felizmente, não foram necessários muitos minutos, para que reflectisse na barbaridade que me acabará de sair pela boca e chegasse à minha epifania da noite.

 

Como é que a maior parte de nós se tornou assim? Sim, porque achamos nós (uma grande parte de nós) que temos de ser assim tão implacáveis? Porque achamos nós que não podemos parar um pouco para considerar quem nos rodeia? E comentei com o Luís isso mesmo. “Esquece o que disse! Caramba, se ela é boa cozinheira e faz aquilo de alma e coração, então não deveriam apoiá-la e dar-lhe condições logísticas para que possa participar?” Não tem a ver com dar uma esmola ou vantagem sobre os outros, mas sim proporcionar a sua participação, que é tão válida como a de outro concorrente qualquer com talento.

 

Mas a verdade, é que na vida, nos deparamos a cada dia com este tipo de situações. Que na realidade nos chocam, ou no mínimo nos incomodam, mas perante as quais, nada fazemos, por haver ainda algo dentro de nós que nos faz competir pelo lugar do mais forte, desprezando e passando por cima de todos os que pudermos, a fim de alcançar o lugar mais alto do pódio, aquele que, parece ser o mais seguro.

 

E faz sentido assim ser, é instintivo, é racional ser egoísta, quando se fala em selecção natural. Mas não está certo. Se formos inteligentes quanto aos nossos instintos e emoções, veremos que não está certo. A lei do mais forte já não faz sentido, para nós humanos. Porque a nossa racionalidade e acima de tudo, a nossa inteligência, permite-nos hoje ir além deste conceito tão redutor da nossa raça. O que faz de nós seres evoluídos é essa mesma capacidade que alguns abraçam, em se superar e contrariar os seus instintos de sobrevivência para entrar no mundo da cooperação, empatia e solidariedade.

 

E não me levem a mal, mas não me estou a referir de dar dinheiro aos pobres, ou andar de cruz às costas uma vida inteira, feita de sacrifícios em prol dos necessitados. Estou a falar da verdadeira solidariedade e empatia, que somos capazes de desenvolver. Estou a falar de parar a nossa corrida, para dar a mão a quem nos está próximo. Não estou a falar em políticas e em ajudas do estado, mas em cada um de nós, ganhar a consciência, do que pode fazer a diferença, numa vida que seja.

 

Falo de parar o nosso tempo e ajudar. E não é preciso colocar a fasquia ao nível da fome mundial. Mas sim, de olharmos a nossa volta e ajudar quem está perto. De actuar no que é palpável para nós. De fazer o esforço, de nos importarmos. Basta por vezes uma palavra, um gesto, não são necessários actos de grandeza, para exercermos um efeito positivo em alguém ou em algo.

 

Porque hoje percebo. Ajudarmos alguém, no final do dia, é ajudarmo-nos a nós próprios. Abrandar um pouco e dar uma palavra de conforto, em vez de uma frase feita, quando um amigo precisa de nós, da nossa compreensão e da nossa ajuda. Porque quando paramos a nossa corrida desenfreada e realmente nos importamos, temos a oportunidade de mudar algo. Em nós e no outro, e isso é uma recompensa que não tem valor. É dar uso ao milagre da nossa existência, mesmo quando não percebemos o porquê de tanta coisa que nos rodeia e do que somos feitos. É utilizar o nosso potencial máximo em sermos humanos, no verdadeiro sentido da palavra.

 

E isso só é possível, quando renunciarmos à nossa natureza, instintiva de sobrevivência e ao modo como lhe respondemos, em forma de reactividade, para finalmente abraçar a escolha pensada, e estruturada que nos encaminha para a estrada da evolução, aprendizagem e descoberta. Todos têm esse potencial, a questão é se escolhemos ou não aplicá-lo...

 

Aproveito e deixo aqui algumas ligações que poderão achar interessantes e que quem sabe, vos ajudarão e impulsionarão a fazer algo mais, para atingirem um patamar, onde todos têm um lugar e merecem ser felizes:

 

- https://www.facebook.com/aprenderasermaisfeliz?fref=ts

- http://agendadossonhos.blogspot.pt/

- https://www.facebook.com/eOPTIMISMO?fref=ts

- https://www.facebook.com/pulsares2012?fref=ts

 

publicado por murimendes às 12:29

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Talvez não tenha de acabar, para recomeçar

 

Posso afirmar que me parece, que desde sempre, fugi das minhas emoções. Dito e sabido, que devíamos aprender a lidar com elas, desde tenra idade. Mas dito e sabido também é, que a maior parte de nós, não beneficiou de tal aprendizagem, pois a dor, o desconforto, o medo, a ira e a raiva ou a frustração, não faziam parte do cardápio da boa educação, e como tal, fomos quase todos, convidados a deixar essa mostra de sentimentos indesejáveis, bem lá no fundo do nosso baú, na esperança que a chave se perdesse para sempre e ele não se abrisse nunca mais.

 

Dito isto, fomos criados para sermos bombas relógio... Mas com certeza, aparentemente, inofensivos e amáveis, educados, atencioso, delicados, polidos, corteses e sofisticados... Até que um dia, damos por nós de saco cheio, sem saber o que se passa ao certo, perdidos num mar de emoções que não entendemos e com as quais não sabemos lidar. Emoções estas acumuladas que nos levam a acreditar que esse é o nosso destino, que a vida nada de bom pode trazer e apenas temos de aceitar que tudo dói. Outros no entanto, perante tal desgraça, decidem fugir, fugir de tal turbilhão, na esperança de conseguir não morrer afogado, mas correndo o risco de morrer de exaustão, de tanto fazer, para não ter de enfrentar. E ainda temos, como bem conhecemos, os azedos! Os que encontram no contra ataque, a estratégia de negação perfeita, descarregando nos outros, toda a sua ira e frustração, tentando controlar as vidas alheias e culpando tudo e todos por este mundo mau em que vive.

 

Bem, como já disse, eu sou daquelas que foge. Não entendo, mete medo, parece-me que me pode derrubar, então fujo. Fujo sem parar, para bem longe. Até que dou por mim, sem mais nenhum lugar para fugir. Até que dou por mim, no meu sofá, sem saída segura possível, sem esperança de voltar a encontrar alguma réstia de bem estar em mim. Fui obrigada a parar de fugir e a olhar nos olhos do medo. E fiquei desta vez paralisada, tentada a conformar-me com a minha triste sina ao mesmo tempo que ainda vou conseguindo fazer um esforço sobre-humano para me levantar após este K.O.  avassalador.

 

Porque não faço ideia. Não faço ideia como fazer frente a esta dor, a este medo, a este vazio tão grande, a esta ausência tão profunda. Não sei como lidar com tanta raiva, tanta frustração, tanta falta de tudo. Não sei como aceitar, como sair pela saída vitoriosa de quem tem uma resposta para tudo, construtiva e positiva. As vezes queria voltar atrás e continuar a fugir, sem saber de nada. Continuar na minha dor ignorante, que neste momento, até parece ser melhor que esta nova dor, cheia de sabedoria e reconhecimento de si própria.

 

Como é que saio daqui? Não me consigo mexer, e a minha mente inconsciente relembra ao meu corpo que relembra à minha alma, a cada tentativa, que estou prestes a falhar. A ansiedade prende-me ao chão, o medo rasga-me qualquer esperança e a fé, tornou-se uma dádiva sádica, na certeza de que, isto será sempre assim. Mas quero com toda a minha alma sair daqui, já não quero entender o passado, que já pareço saber de cor e salteado. Já não quero entender mais nada, porque já levei com quase tudo. Estou perdida em mim, e a sufocar com tanta descoberta. Agora quero seguir em frente, ou para os lados, ou andar para trás... Quero é andar, seguir caminho, seja lá em que direcção for.

 

Mas quero viver. Não quero mais sobreviver. Não quero mais fugir, nem me resignar. Quero fazer frente e aparentemente é possível aprender a educar a mente a fazer o que a alma deseja. Mas não sei como. Revela-se demasiado difícil, demasiado inalcançável aos meus olhos. Convenço-me que talvez não estarei a altura do desafio. Talvez seja tarde demais para mim. Porque apesar do querer, pareço apenas ser capaz de dar passos em falso. Estou no tapete, sem forças para me levantar, ou apenas já sem vontade de levar mais golpes daqueles.

 

E talvez seja este o momento, em que tenha de largar as certezas. Talvez seja este o momento em que tenha de aceitar a duvida. Talvez seja este o momento em que tenha de me perder por completo na convicção apenas, de me voltar a encontrar algures, num sítio melhor do que este. Talvez não seja preciso ficar à espera que tudo acabe. Talvez possa recomeçar. Aqui. Agora. Talvez seja este o momento, de dar aquele tal salto e renascer, apenas e só, para viver.

publicado por murimendes às 12:13

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

Maternidade ou Felicidade?

Ouço tantas mães a descrever o que é que os seus filhos são para elas, o quanto não viveriam mais sem eles, o quanto se sacrificam e fariam tudo por eles e o quanto eles são a sua vida... Mas confesso que, nunca ouvi nenhuma descrever o que um filho fazia por ela, ficando-se a descrição, por uma ampla panóplia de constatações, em que elas próprias se perdem na vida de outrem. Talvez um pequeníssimo pormenor para muitos. Sem dúvida, um mundo de possibilidades para mim.

 

Por isso, o que é que o meu filho é para mim? A minha descendência. Um ser vivo dotado de personalidade individual que se desenvolve dia após dia, a caminho da sua independência.

 

Mas e agora... O que é que o meu filho faz por mim?

 

Se houvesse modo de explicar por inteiro, esta realidade, começaria por aqui... Um filho, faz-nos renascer. O meu filho, faz-me todos os dias querer viver para mim. Faz-me puxar por mim ao nível das minhas mais profundas entranhas. Faz-me correr em direcção às minhas metas e sair debaixo do meu manto da vergonha, onde frequentemente, os filhos acabam por ser usados como a desculpa perfeita, para deixarmos a nossa vida à porta.

 

E todos os dias, olho para este projecto de gente e aprendo. Ou melhor, reaprendo. Aquilo que todos sabemos ao inicio e que perdemos algures, no meio de tanta educação – SINCERIDADE. Já pararam para pensar, a energia gasta, não falando do tempo, que perdemos ao ser politicamente correctos e educados? Ao polir a verdade, para ser mais aceitável? O que é feito, do “não gosto de ti”?

 

Quando somos pequenos e ainda em bruto, os nossos pais educam-nos para a delicadeza. E alguns de nós, fazem disso uma arte. Somos educados, porque é respeito, mesmo quando o respeito não nos toca à nós. Baixamos o tom de voz, não respondemos nem dizemos asneiras. Não praguejamos, temos um respeito cego ao idoso como um católico a Nossa Senhora de Fátima e toda a verdade que nos sai da boca (menos conveniente), é considerada um abuso de liberdade.

 

Mas estes dias, tenho aprendido com o meu filho algo de extraordinário. Ao contrário dele, eu posso medir a força da minha tacada. Descobri que é possível, aos 34 anos (acabadinhos de fazer) ser sincera e verdadeira, sem ser mal educada, deixando o politicamente correcto de fora. A verdade, simples e crua. Sem rodeios, sem caprichos, sem manias, sem “frique froques” (na minha linguagem: pormenores da treta).

 

É porque reparem, quando alguém nos diz “não gosto de ti”, temos duas coisas a fazer – ou ficamos incomodados e perguntamos porquê ou passa-nos ao lado e seguimos caminho. Certo? SIMMMMPLLLLEEEESSSSSSSSSSSSS! Como eu gosto, sem complicar, aquilo que não tem de ser complicado. Aceitando, sem desfragmentar toda a envolvente e as circunstâncias do acontecido.

 

E que alivio! Descobrir que, afinal, podemos voltar a ser crianças, sem a rudeza de então. E se querem saber, a poupança de recursos que colocamos em ser desmedidamente educadinhos, ao ser aproveitada para nós é bem mais produtiva e proveitosa. Vai-se a ver, isto é o que aprendo com o João. Porque assim, no final do dia, caio na minha cama que nem um bebé. Cansada de tanta coisa boa que o meu dia me proporcionou e pouco preocupada com aquelas que foram desagradáveis.

 

Aprendo com o meu pestinha, a desafiar de novo a normalidade, o esperado, os limites, a autoridade, o certo e o errado. Aprendo a encarar um dia de cada vez, como um novo dia e uma nova oportunidade de aprender algo mais, mudar algo mais, largar algo mais. Aprendo a rir e a chorar. Aprendo a mudar, a ficar na mesma e a revolucionar-me.

 

Portanto, se te perguntares o que é que um filho faz por ti? Eu respondo-te – faz-te sentir viva! Faz-te querer recuperar a tua essência. Faz-te recuperar o amor que pensavas nunca ter perdido. E não deixa de ter piada, mas sempre disse que queria um filho, para deixar um pedaço melhor de mim, neste mundo. Vai-se a ver e a sua chegada é que acabou por fazer de mim a melhor pessoa que sonhava ser, neste mesmo mundo.

 

Se isso não é felicidade, então o que será?

publicado por murimendes às 16:50

link do post | comentar | favorito
Domingo, 7 de Julho de 2013

Do sonho à realidade

 

Quando era miúda, lembro-me que todas as minhas amigas sonhavam em casar na igreja (de vestido branco, véu e blá, blá, blá), ter filhos e pronto. Eu cá sonhava em ser alguém, ser eu, em pleno. Sonhava tirar um curso, sair daquele buraco, alugar um T0 em Lisboa, ter um cão e um trabalho que me fizesse sentir realizada, onde eu seria útil e valorizada... A realidade é que sentia a pressão de me comportar como um homem se quisesse ser notada no mundo e depreendia (pelas conversas de mães, que juravam sacrificar quem são a bem do marido e dos filhos), que criar uma família, não incluía desenvolvermo-nos como pessoas no seu sentido absoluto. Dado este panorama, escolhi de bom grado, aos meus 14 anos, que o meu objectivo primordial, seria cumprir-me.

 

Mas a vida assim não aconteceu. Algures pelo caminho, deixei esta miúda partir, largando os seus sonhos, as suas convicções e a sua derradeira vontade de vencer na vida, na primeira pessoa. Passei-me para segundo plano, perdi a bravura e acomodei-me aos papeis secundários (quase de figurante mesmo...). Neste registo subserviente perante a vida, conheci o Luís na universidade, compramos casa, 2 cães e fizemos o João. A lógica quis que não encontrasse um trabalho de jeito e acomodei-me às evidências, não querendo desafiar o próprio medo e deixando o tempo passar, vivendo à sombra da pessoa que um dia almejei ser.  O perfeito cenário, a cortina ideal para me esconder por detrás.

 

E pergunto-me o que resta de mim? Que pessoa é esta que está sempre disposta a motivar quem a rodeia, que inspira até os desconhecidos a sonhar sem limites, se ela própria apenas parece ficar-se pela conversa, não arranjando coragem de partir para a acção? Que medo é este que me paraliza e me faz vacilar cada vez que me aproximo dos meus desejos? Enquanto o sentimento de perder for maior do que o de ganhar, serei incapaz de sair deste impasse e não sei como posso saltar esta barreira...

 

E isso leva-me a pensar, será possível realizarmos os nossos sonhos de criança, ou seriam eles reflexo da nossa pura inocência? Será que mesmo válida a hipótese de se alcançarem alguns, outros deveriam ficar para viver a dormir apenas?  Será que ser adulto é levar a vida a sério e deixar-se de pieguices? Será que ser crescido, significa fazer sacrifícios pelos outros e deixar as vontades, para o plano do nosso imaginário? Será que há quem tenha tanto medo de viver, que prefira dormir acordado, para não se arriscar à desilusão da realidade?

 

Confesso que a semana passada, andei a destralhar freneticamente o meu T2, desapegando-me de tudo o que não tinha utilidade, sem dó nem piedade. Estas fúrias já me são familiares, pelo que tentei parar 2 segundos para me perguntar o que não estava bem comigo... Qual era afinal, a minha necessidade de deixar tudo tão limpo, tão simples e tão funcional, nesta casa? E cheguei à conclusão que por muito que limpasse a casa e a deixasse mais leve, o mesmo não estava a acontecer à minha mente, cada vez mais desinquieta.

 

E percebo finalmente, percebo que é este medo. Um medo tremendo de me desafiar e de me provar que estou errada e certa ao mesmo tempo. Medo de ter de assumir o comando e de ter a cortina a abrir-se para a minha entrada. Medo de viver os meus sonhos e medo de me perder neles. Medo de perder o controlo. Medo de dar o passo seguinte e de nada voltar a ser como era. Medo de largar. Medo de conquistar... Porque sei que na vida, existem momentos que mudam tudo, que mudam quem somos e que mudam para sempre o modo como vemos o mundo à nossa volta. E se eu mudar, quem ficará cá para mim, pela pessoa que me irei tornar?

 

E penso que não estou pronta para arriscar-me a perder algumas coisas fantásticas que tenho.  Não estou pronta para renunciar ao que me é importante. Não estou pronta para descobrir, quem gosta de mim se eu for, apenas eu, sem a máscara, sem artifícios, sem enganos nem ilusões. Ou será que afinal, não estou é pronta para saber se eu própria gosto desta pessoa que quero ser, para além das minhas fronteiras? Se esta pessoa resulta na pratica? Se esta pessoa, não se tornará uma completa desconhecida, para quem sou hoje? E afinal interrogo-me, quem é esta pessoa hoje? Para além de uma sombra de quem sonho ser?

 

Certo? Certo.

publicado por murimendes às 22:49

link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

Obrigatório viver pela metade?!

 

Em tempos em que até o Gajo que finalmente se encontra desempregado* se declara cansado de não fazer nada, que um psiquiatra afirma que “o meu coração chora quase todos os dias pela horrível confusão e sofrimento que o mito do amor romântico gera”** e que muitas mães à minha volta, me afirmam que eu jamais me sentirei completa sem o meu filho, urge no meu ser, perceber o que afinal significa “sentir-se completo”?

 

O que é isto de sentir-se completo? Quem tem poder de preencher espaços no nosso ser, de forma a que sintamos que vazio nenhum persiste para colmatar? Será um trabalho? Um amor? Um filho? O que é que tem poder para cumprir tão difícil tarefa?

 

Na verdade, penso que todos nós temos vazios dentro de nós, que podem tornar-se uma verdadeira tortura, se não os conseguirmos aceitar. Também é verdade, pelo menos a minha verdade, que muita gente ignora os seus vazios ao tentar colocar outras pessoas, para apaziguar a inquietação da sua existência. É igualmente verdade, que muitos de nós se agarram a coisas infindáveis, para encher o saco da insatisfação, na esperança que aquela tralha toda, nos consiga distrair o tempo  suficiente desta escuridão, até perceber a peça que realmente está em falta.

 

Mais uma vez, o que significa estar completo? Bem, estar incompleto é mais fácil de definir... Sentir que falta algo é bem mais fácil de identificar, ficando apenas a certeza da tortura que é, não saber do que se trata. Mas afinal, o que é que já sei? Sei que posso pesquisar toda a informação do mundo, que isso não me fará ter menos medo de enfrentar os obstáculos da vida, não me fará acertar em tudo, fugindo do erro e não irá evitar que sofra com consequências imprevistas. O que sei também, é que enquanto procuro, não faço e enquanto não faço, perco a oportunidade de me maravilhar com tudo o que de bom me poderia estar a acontecer.

 

O que sei mais? Sei que ninguém se preenche com alguém que não seja a sua própria pessoa. Posso estar incompleta sozinha, mas ninguém me pode complementar. Seja marido, filho, primo, cão ou papagaio, ninguém no mundo tem esse poder redentor de nos resgatar do nosso sofrimento. Porque é que sei isso, porque vejo muita gente a colocar o peso da culpa no próximo. Mulheres que dizem perder tudo se o marido sair porta fora, mães que constantemente fazem por serem indispensáveis na vida dos seus filhos, filhos que optam por se deixar embalar para não enfrentar a vida, e podia seguir por aí fora. O que sei disso é que se resume a desrespeitar o amor em si e no limiar, não termos amor próprio. Porque amar para mim, é um extra que tenho o privilégio de desfrutar. É algo que me transcende e me liberta, o contrário deixaria de ser amor e passaria a ser cativeiro.

 

E é isso que eu sei, não parece muito, mas também não será pouco. O que me poderá preencher o vazio? Não sei bem ainda o que será. Mas tenho de continuar a minha viagem e procurar por todo o lado. Sei que desistir não é solução. Sei que posso iludir-me com a próxima descoberta, mas também sei, que não há outra forma de encontrar que não passe pela procura. E se no final do dia nos dizem que temos de ficar satisfeitos com o que temos, eu cá afirmo que não podemos baixar os braços enquanto não sentirmos todos os recantos da nossa alma a pulsar de vida. E sei que talvez haja quem nunca se encontre verdadeiramente, mas penso que neste caso, já seria um grande conforto, saber que deram tudo por tudo para lá chegar.

 

O que eu sei, é que não possuímos ninguém e nada nos pertence a não ser nós mesmos. E nisso é que temos de trabalhar, em nós, na nossa existência e no que deixaremos para o mundo. É isso que sei, que sou do mundo, deste planeta e que tenho uma missão simples. Aprender o melhor que posso, fazer o melhor que souber, deixar o melhor de mim. E isso só posso fazer com sinceridade, justiça e coragem. Isso só posso fazer, abrindo mão de tudo, esperando que dos breves momentos de partilha, consiga sugar todo o potencial desta junção, o tempo que tiver de durar. E esperando ser forte o suficiente, para partir quando já nada restar e de deixar partir quando o mundo prometer um novo começo.

 

Só assim serei alguém, por mim e para o mundo.

 

*https://www.facebook.com/finalmentesouumgajodesempregado?fref=ts

**http://dharmalog.com/2012/08/01/o-mito-do-amor-romantico-a-visao-do-psiquiatra-m-scott-peck-sobre-as-buscas-irreais-nas-relacoes/

publicado por murimendes às 17:05

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Ninguém me tira a minha liberdade!

 

Enquanto desempregada, devo confessar que me fartei de cuspir para cima, nos tempos áureos, em que tinha trabalho... Por outro lado, na verdade, existe muita gente, que como eu, gosta(va) de dizer, que quando se precisa faz-se qualquer coisa, seja o que for... E numa lógica terráquea, tudo o que sobe, acaba por descer e tenho levado neste último ano, com bastante do meu cuspo em cheio no meio da cara!

 

Hoje lá me arranjei para ir até ao centro de emprego, pois estava convocada para comparecer ao dito sitio, a fim de me ser apresentada uma proposta de trabalho. A sensatez, valha-me a dúvida, fez-me tomar um calmante antes de abrir a porta e ir à minha vida. 9h15, lá estava eu às portas do meu destino e a observar pela pinta de quem entregava o seu papel, semelhante ao meu, que a proposta seria para loja. Nós as lojistas já sabemos reconhecermo-nos pela “pinta”...

 

Bem, 9h30 para lá das 9h40, lá nos vem chamar uma senhora, que nos convida a entrar nos confins do inferno (sim porque a sala estava a ferver e claro que nós nem temos direito a melhor do que isso). Lá começa ela a dialogar e a apresentar a sua proposta, cheia de poder e de razão, violando várias leis do trabalho, mas convicta da sua proposta de valor. E vira-se para cada uma de nós a perguntar o que achávamos e se estávamos interessadas.

 

Depois de algumas de nós não mostrarem interesse em trabalho de escravidão, pago a ordenado mínimo, sai da manga da senhora, o cartão “vocês estão desempregadas, esta é a vossa área de experiência e portanto só têm de aceitar ou cortam-vos o subsidio”. E aí o meu coração bateu a mil, juro que bateu. Valeu-me o alprazolam à saída de casa, a garrafa de água e os rebuçados que estão sempre comigo...

 

Senti hoje pela primeira vez, o peso da humilhação do desemprego. Vem aquela emperuada, encostar-me à parede, desvalorizando o argumento de se ter filhos pequenos ou até de algumas estudantes, sem possibilidade de fazer horários rotativos, sem prejudicar o que é mais importante para cada uma, neste preciso momento. Isto quando, algumas tinham manifestado interesse!

 

E aí realizo que Portugal e talvez o mundo, têm um problema bem grave. Nós não somos o nosso trabalho. Nós, humanos felizes, temos prioridades que não incluem o trabalho em primeiro lugar. Nós, humanos, temos dignidade e temos liberdade. E sim, recebo o subsídio de desemprego, mas meus amigos, também paguei impostos sobre os meus ordenados para ter esse privilégio e pago todos os dias impostos sobre o que consumo para viver. E sabem que mais, ainda levo o João ao pediatra, no privado para ter um atendimento digno, e levo-o à creche privada para garantir que os seus melhores interesses são respeitados e podia continuar por aí fora.

 

Portanto sim, recebo subsidio de desemprego, mas não, não sou obrigada a rebaixar-me perante uma senhora que talvez se sinta uma Deusa ao exercer o seu poder de decisão, se nos lixa a vida ou não. Sim quero trabalhar, sentindo-me motivada e realizada, sabendo que o que faço tem valor para além de mim e que ninguém fica prejudicado com o exercício das minhas funções. Por isso não, lá porque tenho experiência em loja, não quer dizer que seja a minha vocação e vá dar tudo de mim por aquele trabalho.

 

Portanto, em vez de apresentarem propostas de trabalho segundo a experiência, que tal explorar outras áreas e preferências? Fazer um verdadeiro acompanhamento a cada indivíduo, em vez de nos fazer apresentar a cada 15 dias, tal presidiários com termo de residência e de nos chamar a comparecer, para queimar tempo com actividades que em nada nos ajudam?

 

Por isso hoje senti sinceramente uma forma de opressão, que nunca tinha experienciado. E por mais estranho que pareça, realizei depois de ir comprar o meu pão (eu sei, mas é quando me chegam as epifanias), que a maior parte das pessoas gosta de desrespeitar regras básicas de  cidadania, mas demasiado poucos realmente levantam a cabeça e exigem respeito, quando realmente a situação o requer. Eu também posso ser esperta e ter o poder de estacionar na passadeira depois de não ter parado sequer para dar prioridade aos peões, agora fazer frente às pessoas que nos humilham por pura recreação, só porque tem lugares de poder, já é coisa de insubordinado...

Nunca vi povo tão certo da sua autoridade e tão obediente ao poder ilusório alheio.

publicado por murimendes às 12:31

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Fazeres o que criticas nos outros, não te torna igual?

 

Estou numa daquelas fases, em que me apetece ter uma opinião sobre tudo, o que acho sinceramente, bem melhor do que não ter opinião nenhuma. Bem, pior ainda, será certamente ter a opinião obvia e facilitista de quem prefere virar a cara ao problema e não complicar demasiado o seu pensamento, chegando à conclusão que existem situações complexas de se entender e mais ainda de resolver... Isto num mundo onde todos criticam, mas ninguém se chega à frente para apresentar soluções e muito menos para ter comportamentos dignos das suas criticas.

 

Há dias, um “puto” e uma “doutora” protagonizaram um vídeo que “virou” viral nas nossas redes sociais. Claro, o “puto” deu “show” e calou a “doutora”. Eu acho que em primeiro lugar, gostaria de defender a posição de “doutora”. Mas que país é este onde ter uma licenciatura é assim tão ofensivo? Porque eles não sabem nada da vida, não são mais que ninguém e por aí fora. Sinceramente, os licenciados andam mesmo aí pela rua fora a comportar-se como Deuses todos poderosos? E porque é que ter a 4ª classe é bem mais dignificante e sinónimo de experiência de vida, que é aquela que conta e não um canudo desprovido de valor? Ok... Vou deixar isto para trás...

 

Ora bem, o “puto”, disse e muito bem, que se não formos nós a fazer por nós, ninguém o fará. Ninguém nos vai dar nada e temos de lutar para fazer acontecer! Embora o homem que bata o punho ande a dizer o mesmo e lhe andem a chamar de iludido... eu vou concordar com o “puto”. O empreendedorismo, é talvez a meu ver, o que salvará este país demasiado conformista com as suas vidas! 1 ponto a teu favor “puto”!

 

A “doutora”, por sua vez fala sobre trabalho escravo. Trabalho infantil e trabalho mal remunerado, com condições péssimas e desumanas... O “puto” diz-lhe que ao menos é trabalho e toda gente acha que com essa resposta, ele calou a empertigada... Corrijam-me se estiver errada, mas afinal não andam nas ruas a reivindicar trabalho justo? Condições dignas no local de trabalho e empregadores que respeitem os seus colaboradores e o seu direito a uma vida plena? O que de tão errado falou ela então afinal? Aponto-lhe apenas a aparente arrogância no tom utilizado, que até podia ser justificada pela importância do tema...

 

Na verdade, não há nada que queira mais neste momento da minha vida, do que empreender para o meu futuro. É um sonho que trago comigo há muito anos. Desde que andava a tirar o tal dito canudo, que esta idéia me faz fervilhar o sangue nas veias. E porquê? Porque aprendi que podemos ser independentes, autónomos e mudar o mundo à nossa maneira. Sim, mudar o mundo. Não como uma introdução da matéria em 5 minutos numa palestra que passa 55 a falar de como fazer dinheiro e 5 na obrigação de ter uma boa imagem, mas sim como propósito central do nosso negócio. Já imaginaram? Eu já!

 

Mas afinal, que pessoa nos tornamos se aceitarmos erguer o nosso império sobre uma base putrificada? Sim, quero um negócio lucrativo, mas será justo “montá-lo” à custa dos outros? Não será possível criar o nosso pequeno império, sem ser retirando partido da exploração dos nossos pares na vida? Ou afinal uns são mais iguais que outros? A experiência afinal diz-nos que para ter sucesso é preciso aproveitar-se dos outros? Mas isso não é coisa de político? Hum... Posso ter 16 anos e empreender e sou Deus e ser licenciada e falar sobre justiça social e ser uma farsa?

 

Pois é, os dois estão certos para mim. A questão aqui é outra. O trabalhador tem direito a dignidade e a um salário que demonstre isso. Se lutamos um dia para alcançar um salário mínimo digno de uma vida com padrões básicos de necessidades satisfeitas, não podemos atirar uma pedra a quem defende a justiça no tecido empresarial no que respeita a essa questão. Nada impede que se trabalhe para os dois e que se consiga os dois, há quem o faça.

 

Mas irão sempre existir empreendedores da treta que irão justificar as suas decisões de “baixo custo” na sustentabilidade do negócio e que não saberão nunca o que é ser justo e o que dá “pica” ao trabalhador para se levantar dia após dia e dar o seu melhor. Isso aprendi na escola, faz parte do meu canudo e comprovei no terreno. Mas não é relevante nem importante. Saber que um empregado valorizado dá de si, mais do que lhe é pedido. Saber que os consumidores são “catalogados” em vários tipos, e não se vende de tudo a todos. Saber que gerir é ser malabarista, mas não “desenrasquista” e que o instinto na gestão rende, mas a razão e o planeamento, rende ainda mais e nos salva em dias de tempestade.

 

E da experiência? Da experiência aprendi a aplicar o que falo. A ter ética, que não é falar bonito, mas sim agir em conformidade. Ser empreendedor é acrescentar algo à sociedade em primeiro lugar. É ser justo e inspirar as pessoas à nossa volta a fazer o que está certo. É usar do nosso tom de liderar, para que a cada decisão tomada, o mundo seja um lugar melhor para se viver. Porque não são precisos actos heróicos para mudar uma sociedade. É preciso muita gente a dar pequenos passos na direcção certa.

 

E por isso afirmo. Se a mudança for para ser começada na casa do vizinho do lado, então nada deixaremos de melhor para as gerações futuras, senão a maior prova de egoísmo, ganância, comodismo e conformismo em que muitos aceitam viver, na desculpa de ser a única solução viável. É certamente a mais confortável, previsível e menos trabalhosa, mas não te iludas por achar que é a única. Assume a tua responsabilidade!

publicado por murimendes às 15:55

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Ainda acreditas na Magia?

. Estilo de Vida Positivo d...

. Porque não, ser a solução...

. A sobrevivência do mais a...

. Talvez não tenha de acaba...

. Maternidade ou Felicidade...

. Do sonho à realidade

. Obrigatório viver pela me...

. Ninguém me tira a minha l...

. Fazeres o que criticas no...

.arquivos

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds