Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

Dona de Casa Desesperada

 

Aí que eu hoje estou num daqueles dias!!!!... Para onde é que foi a minha vida? Ser mãe é sem dúvida uma coisa fantástica, mas não me levem a mal, não sou daquelas mães fofas que pretendem viver a sua vida através dos filhos, ou que exclama com muito orgulho que nasceu para ser mãe. Amo sem dúvida nenhuma o meu filho, mas ser mãe não é o único papel que pretendo desempenhar na vida, é certamente o mais importante, mas não único!

 

O pior disto tudo, é que hoje estou em dia de desabafo, mas mães fofinhas é o que não falta por aí, e proferir tais desabafos faria de mim, um demónio, estilo reencarnação do satanás! Uma desnaturada que não nasceu para o papel que deveria desempenhar com todo o amor e paciência do mundo, pois ser mãe é coisa de exclusividade. É coisa de sacrificio para ser atirado à cara daqui há uns quantos anos, a fim de reclamar um reconhecimento eterno, tal amor com preço, ao estilo dos juros da divida pública: com plano de pagamento vitalício!

 

Pois é, nem me apetece falar com ninguém para não ser julgada no imediato. Porque ou tenho um instinto materno desviado do normal, ou devo estar a ter uma recaída. Se calhar estarei com uma depressão pós parto. Serei um objecto de estudo, a ovelha negra debaixo da mira dos olhares maternos mais ternurentos à fase da terra...

 

Mas a verdade nua e crua, com toda a honestidade que me pode sair da alma, é que hoje estou a gritar por dentro. Já não tenho tempo para ser Eu. Neste momento, sou mãe e dona de casa. A minha vida vai do tratar do João, a confeccionar refeições, passando pela lavagem da roupa, até à limpeza de cima à baixo da casa, incluindo os cães e o coelho.

 

Não tenho trabalho, não tenho mais nada. E não, não me chega. Sou egoísta se assim quiserem que seja. Quero ter tempo para mim, e não, não mães fofas, o meu rebento não preenche todos os recantos da minha alma. Não é tudo o que me basta para viver plenamente. Preciso de algum tempo do dia para ser Eu, sem fraldas, baba ou ranho, sem panelas, sem estar a cuidar dos outros. Preciso de me sentir um ser humano completo e para mim, isso chama-se: coragem.

 

Esconder-me por trás de um filho e de um marido seria anular-me enquanto pessoa e se querem saber, não faz o meu género. Há quem faça essa escolha (sendo até bem vista pela sociedade), mas esse não é certamente um caminho saudável para mim. Por isso hoje, hoje estou a gritar por dentro. Hoje preciso de me sentir alguém, para além de quem cozinha e quem tem a casa arrumada. Hoje recrimino-me por não ser um padrão exemplar da sociedade. Mas hoje, apenas tenho saudades do meu Eu...

publicado por murimendes às 21:17

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1 comentário:
De Vanessa Dias a 19 de Janeiro de 2013 às 01:50
Correndo também o risco de ser julgada... eu também sou assim. Ainda não tenho filhos porque a decisão não é só minha mas estou sempre a planear para os arriscados 40, porque embora adore crianças também sinto essa necessidade de realização e já me perguntei muitas vezes se serei alguma bruxa má, porque não consigo estar com aqueles «nhãnhãs» de cada vez que um bebé aparece na rua, no trabalho... Mas depois adoro crianças e normalmente elas a mim porque eu não consigo restringir-lhes a imaginação e aquela energia natural que elas têm... Já me cruzei com uma ou outra pessoa também assim. No entanto, verdade seja dita: sentimo-nos sempre como se fossemos umas «mulheres desnaturadas». Eu vou pensando que é uma questão de valores, prioridades, educação, mentalidade, não sei... se calhar somos poucas, mas temos o direito de nos sentirmos normais :-D

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