Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Carta ao Pai Natal

 

Querido Pai Natal,

 

Este vai ser o meu primeiro Natal, e não percebo ainda muito bem o que isto significa. Sei sim, que ouço a mamã e o papá dizer que vão aproveitar eu ter nascido em ano de crise para me ensinar o real valor deste dia.

 

Dizem eles que não preciso de prendas caras ou grandes, nem de brinquedos. A verdade, é que eu até gosto dos meus brinquedos, mas prefiro muito mais brincar no chão da sala com a mamã, enquanto esperamos que o papá chegue do trabalho. Também gosto de ver os meus peixinhos no aquário e de brincar com o Moby e a Teka, sobretudo a Teka, porque ela lambe-me as mãos todas e eu acho isso mesmo giro! 

 

Se o Natal é parecido com isso, então vou gostar! Se for sentir o encanto, poder sonhar e ter esperança. Se for ser amado e brincar. Partir para o mundo da fantasia e sentir a ansiedade pela chegada do meu papá, então Natal é mesmo bom. É um dia como todos os outros, mas em vez de esperar pela meia noite para beber o meu leitinho antes de voltar para a cama, vou esperar por ti.

 

Neste dia especial, espero mesmo que passes cá por casa (podes entrar pela porta que a nossa lareira é moderna e não tem chaminé). Vou pedir ao papá para te deixar bolachas e leitinho porque Natal é partilhar (dizem-me) e como ele bebe sempre leitinho e come bolachas antes de ir dormir, pode deixar para ti também. Assim podes descansar e continuar a tua viagem.

 

Por isso, se arranjares espaço na tua sacola, traz-me apenas amor, paz e alegria, tudo embrulhado em magia, com um laço daqueles bem grandes (a mamã insiste que seja reciclado, porque temos de cuidar do ambiente, diz ela...). Podes dar os meus brinquedos aos meninos que não têm a sorte que tenho, que não têm papás para brincar com eles ou que têm menos do que eu.

 

Espero ansiosamente pela tua visita (sei que ninguém nunca te viu, mas acredito que estou na tua lista de entregas)!

 

João e Papás (sabes, eles ajudaram-me a escrever, é que sou muito pequenino e ainda não percebo disto das letras).

publicado por murimendes às 22:48

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Quando voltamos ao buraco de sempre

Das piores coisas que nos podem acontecer na vida, talvez vá eleger, o cair de novo no erro de sempre! Ok, já passamos por isso, da primeira vez não percebemos, da segunda instalou-se um hábito, da terceira aprendemos a lição e da quarta... Puf! Voltamos a cair no mesmo buraco, sem saber bem como fomos parar àquele beco sem saída de novo... Pior, como foi que não reparamos que já estávamos a bater com a cabeça no fundo do beco, insistindo em andar para frente, em vez de dar meia volta e procurar outras saídas.

 

Engraçado que por vezes, dou comigo a olhar para os meus cães, quando eles insistem em passar por onde não cabem, mas não parecem perceber que podem dar a volta. E penso cá com os meus botões:

- “Mas será que eles não vêem o óbvio?”

Pois bem, a diferença aqui, dos meus cães para mim, é que eles têm uma limitação de raciocínio válido! Eu, já devia saber melhor! Vou-me anulando aos poucos, até que a minha vida passa a ser uma eterna pré-disposição para melhorar a vida dos outros. Convenientemente em espera, sempre pronta para auxiliar os dramas alheios, ouvir as confissões de terceiros e aturar as mais melodramáticas cenas, com toda a paciência e compaixão deste mundo e do outro.

 

Fico de banco. Não vá alguém precisar de mim. Assim, enquanto todos vão vivendo a sua vida, eu vou estando pronta para dar apoio, tal ambulância do INEM de serviço, 24 sobre 24 horas. Estou sempre de serviço, não me posso ausentar muito ou afastar demasiado do meu posto, não vá alguém engasgar-se e eu ser a única pessoa capaz de arrancar o amendoim malvado, das canalizações em apuros.

 

Ok. Isto tem de acabar. Porque até o médico do INEM, tem direito à sua vida. Não posso mais ser quem preenche a vida dos outros, quem lhes dá constantemente a mão, quem lhes enche um vazio que não me pertence a mim ocupar. Todos podemos e na minha opinião, devemos ajudar quem precisa, mas ninguém pode substituir o que não lhe compete substituir. Não me é possível continuar a preencher espaços que não me pertencem, por muito que o queira fazer. A minha energia vai-se esgotando à velocidade da luz e deixo de ter forças para cumprir os meus próprios papéis.

 

Para além disso, a minha vida é minha de viver, não é humanamente possível continuar a deixar que se agarrem a ela e a suguem por mútua conveniência. Cada um é responsável por viver a sua vida de forma mais plena possível e nesta faca de dois gumes, cada um tem de olhar para si e reconhecer os seus medos, saindo desse comodismo paradoxal, que prontamente nos engole numa complacência doentia.

 

Por muito que queiramos fazer o melhor para todos, o melhor mesmo é começar por fazer o melhor para nós! Isso é o que aprendo à força de querer entrar no bendito beco. Insistimos em bater bem lá com a cabeça, vezes e vezes sem conta. E o resultado? Adivinhem... A parede não se mexe! Vá-se lá perceber... Portanto, espero ter percebido de uma vez por todas, que tenho de seguir por outro caminho.

 

O que está para além daquela parede, a paz que tanto procuro, posso alcançá-la de outra forma. Devo alcançá-la de outra forma. Deixar toda gente feliz e satisfeita não só não resulta, como é impossível. Apenas devo seguir viagem retirando do saco que tenho às costas, a culpa, o medo e a autocomiseração pelo espírito de sacrifício que não me é devido e muitas vezes, nem pedido.

 

Quando fizer isso, certamente ficarei mais leve, chegarei mais longe e estarei muito mais disponível para estar presente nas vidas de quem realmente importa e precisa de mim, de um modo que passará do penoso ao harmonioso, num ápice. Qualquer coisa como andar à chuva e não ter chapéu, mas ter o privilégio de assistir à revelação das cores do arco íris, através do raiar do sol, com lugar marcado na primeira fila...

 

Ainda bem que de vez em quando repetimos as nossas quedas, porque assim, não só podemos aprender a lição, como finalmente a podemos compreender!

publicado por murimendes às 16:58

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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Dar o salto

 

Estou nesta prancha, a 10 metros do chão. Em baixo, apenas a água, refletindo o azul das paredes, e uma calma absoluta. Fecho os olhos e tento concentrar-me. Tudo fica claro. Tudo fica simples. Já visualizei o que quero, volto a respirar: Eu sou capaz! Respira fundo, é só dar o próximo passo e saltar! Tu consegues, tu és capaz...

 

Mas abro os olhos e de repente, lá em baixo, tudo deixou de ser calmo. Não há silêncio e todos olham para mim à espera que salte, impacientes e cheios de expectativas. E na minha ânsia em não desapontar ninguém, em provar que sou capaz, entro em pânico. Será que estabeleci esta meta bem acima das minhas capacidades? Bloqueio. Não consigo, não sou capaz de dar esse salto. Se ao menos saíssem todos daqui para fora, se ao menos o silêncio voltasse...

 

Quero provar a mim própria que consigo, mas a pressão de tentar provar isso ao mundo é demasiada. Quero fazê-lo por mim, porque sei que consigo, mas ao ver aquela gente toda, só penso:

- “E se bater de chapa? E se voltar para trás e não saltar? Eles vão-se rir de mim, eles vão dizer-me que quis voar mais alto do que era capaz, eles vão-me dizer que sou uma tola por achar que se pode voar”

 

E eu tenho medo de saltar porque não quero deixar de acreditar. Tenho medo de perder o sonho. Tenho medo de ver que afinal estou errada e a esperança não tem lugar neste mundo cão. Tenho medo de deixar vencer o pessimismo, a resignação e a apatia. E por isso não consigo saltar. Porque enquanto estou lá encima, ainda tudo é possível.

 

Mas afinal, não será melhor mesmo saltar? Posso dar um belo salto, sorte de principiante ou posso bater de chapa e sair de costas doridas, mas saltei não foi? Quantos se dispõem a dar o salto? Qual o objetivo de ouvir os disparates da boca de quem nunca saltou? O primeiro não corre bem, tenta-se um segundo, um terceiro, um quarto. Aprende mais um pouco a cada queda, até sair o salto perfeito. E passa-se para a meta a seguir, continuando a puxar por mim, continuando a sonhar com o impossível, continuando a alimentar a esperança. Continuando a ambicionar, a dar de mim, a desafiar-me.

 

O que têm afinal aqueles que guardam os seus pés no chão? Que sabem eles sobre saltos? Que sabem eles sobre voar? Que sabem eles sobre entusiasmo. Que sabem eles sobre ultrapassar barreiras? Nada. Absolutamente nada. Vivem uma vida tranquila, segura, monótona, sem expectativas, sem desafios, sem ambições, sem sonhos e sem esperança, sem fantasia, retirando a magia de toda a equação das suas vidas.

 

Então porque insisto em valorizar estas opiniões? Porque me aterroriza assim tanto o que acham e o que dizem? Porquê desta ânsia em provar-lhes que estão errados? Se este salto não for perfeito, qual a minha lição afinal? Não é possível saltar? Acabei de provar que era?! Não foi perfeito? Parti uma perna? Da próxima aproveito a experiência e melhoro. É uma questão de gravidade. Saltar é possível, não sabemos é como vamos cair. Mas não podemos deixar o medo toldar-nos a iniciativa. Não podemos deixar “os outros” serem o centro das nossas decisões.

 

Vou então voltar a fechar os olhos, respirar fundo mais uma vez. Sentir a calma a pulsar em mim. Concentrar-me. Focar-me no meu objetivo. E quando a minha entrada perfeita naquela água azul, for a única coisa que eu conseguir ver, com os meus olhos fechados, então sim, vou respirar fundo, abrir os olhos e saltar de uma vez por todas!

publicado por murimendes às 19:16

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