Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Parar é Viver

Gostava de ser invisível. Andar por aí, sem ser alvo de criticas, de julgamentos. Sem ser comparada a um qualquer padrão pré-concebido, que representa o correcto, o que tem de ser. Gostava de viver livre, como se tivesse a capa da invisibilidade do Harry Potter. Não para poder observar os outros sem que eles me vissem, mas sim para poder ser eu, sem que os outros me vissem.

 

Porque quando me imagino a colocar a minha capa, imagino-me a ser quem verdadeiramente sou. Posso ser eu, aquela pessoa cheia de vida e alegria. Cheia de sonhos e esperanças. A criança que por vezes quer sair, mandando tudo e todos à fava, dançando à chuva de braços abertos. Posso ser eu e parar. Parar para respirar. Parar para chorar. Parar para viver. Parar para rir. Parar porque posso.

 

Vivi grande parte da minha vida sempre a correr, não sei bem para onde ou porquê, mas a única certeza que ainda me restava, era que parar seria morrer. Corri tanto, que deixei de perceber do que é que fugia, mas sabia que não queria que ninguém me visse. Fingi aceitar, integrar-me e gostar. Fingi ser o que não era de tal forma que perdi algures quem era. E esperei, esperei em vão que alguém me fizesse parar. Alguém que me dissesse que podia abrandar, que não fazia mal, que não era menos por isso.

 

Contive o choro que insistia em querer escapar. Queria tanto ter aquela capa... E à falta dela, acabei por colocar uma mascara. Ninguém me disse que podia parar... Ninguém me disse que podia parar... Ninguém me disse que podia parar e só consigo sentir raiva. Só consigo sentir raiva. Estou tão zangada! Tão zangada por ninguém ter visto que deixei de ser eu. Zangada! Porque ninguém me disse que podia parar! E este ódio consome a minha alma. Esta raiva que aprisionei, tornou-me uma pessoa amarga, triste e desiludida. Porque é que ninguém me disse que estava tudo bem? Que não fazia mal parar um pouco?

 

E percebo hoje, que não podemos ficar à espera que alguém nos diga que podemos parar. Nós é que temos de saber quando o devemos fazer, mas acima de tudo, nós é que devemos aprender, que podemos parar. É permitido parar sim! É permitido parar para sermos quem somos, para sermos exactamente a pessoa que nascemos para ser. Era bom que alguém nos colocasse a mão no ombro e nos dissesse baixinho que está tudo bem, mas o que realmente não nos deixa parar, é a nossa própria voz. Sei que era mais fácil, se alguém nos dissesse constantemente o que queríamos ouvir, alguém que nos apoiasse na decisão e a validasse perante os nossos receios. Mas a vida não é assim. Ninguém vai parar, para nos dizer que podemos parar.

 

Por isso, digo-vos eu, aqui e agora. PODEM TODOS PARAR! Porque ontem, ontem parei 3 minutos no carro quando cheguei a casa. Estava a dar uma música que gostava no rádio e decidi parar para ouvi-la. Encostar a cabeça no banco, respirar e apreciar, ao mesmo tempo que a cantava alegremente à mistura com algumas lágrimas de alivio, por ter parado. Hoje parei, parei quando tropecei num balão do João, que estava no chão da sala. Tropecei nele e comecei a brincar, atirando ao ar, dando-lhe pontapés e brincando como se tivesse 5 anos de idade...

 

Por isso parem! Por favor, parem! Parem sempre que quiserem, sempre que precisarem. Vistam a capa da invisibilidade. Ignorem o mundo à vossa volta. Ignorem as vozes que se confundem entre a vossa própria voz e as do exterior, que repetem e insistem em querer criar um protótipo de humano sem alma, sem vida e sem alegria, a bem de uma sociedade silenciosa, despreocupada, aparentemente tranquila e agonizantemente adormecida. Gritem, zanguem-se, sejam inconvenientes. Ajam. Façam. Preocupem-se. Ajudem. Mas por favor, vivam.

 

E parem! A vida não tem semáforos, stop’s ou policias sinaleiros. Melhor ainda. Somos livres de parar onde e quando quisermos. Somos livres de escolher porque é que queremos parar. Quando quiserem, cubram-se com a capa da invisibilidade, mas tirem as mascaras. Sintam apenas a liberdade de parar. Parar para respirar. Apreciem apenas a liberdade de viver. Viver inspirados. Não receiem nunca, ser a pessoa que nasceram para ser.

Já agora, estava a dar isto no rádio ;)
http://www.youtube.com/watch?v=ekzHIouo8Q4
publicado por murimendes às 14:22

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Esta Doce Loucura

 

Quando saio de casa, normalmente, o caminho que vou percorrer para chegar ao meu destino, já está traçado na minha mente. Quando entro num espaço que desconheço, pela primeira vez, garanto em primeiro lugar que sei onde ficam as saídas. Já subi 10 andares para ir a uma entrevista, porque tenho receio de ficar trancada num elevador. As filas de trânsito deixam-me nervosa. Ando sempre com um rebuçado no bolso, como se ele fosse o supra-sumo do pânico. Rio-me, falo como uma doida e gaguejo sempre que estou nervosa. Quando estava grávida de 2 meses e ainda não se via nada, um simpático senhor africano chegou-se ao pé de mim na praia de Sesimbra e colocou-me uma pulseira no pulso, dizendo que era para dar sorte... Mesmo gasta e já partida, ela anda comigo na minha mala, para todo o lado! A minha casa tem requintes de geometria descritiva na sua arrumação. Não tenho paciência para conversas da treta e ir às compras ao fim de semana faz-me praguejar com alguma arte... “And the list goes on”

 

Louca, é o que sou. São tantos os males de que padeço, que prefiro já nem abrir a boca para não ter um diagnóstico de internamento urgente, numa extensão de 3 a 4 páginas, relatando as minhas avarias técnicas mais profundas. Mas sabem que mais? Estou farta! Farta de ser catalogada a cada espirro. Farta de ser tratada como algum tipo de aberração da sociedade por aqueles que vivem a mágoa em silêncio e apontam o dedo ao seu próprio sofrimento na esperança que ele desapareça. Mas mais farta ainda estou, de me tratar a mim própria, como um caso de estudo raro. Como uma peça de barro já cozida que tem de ser retalhada e ajustada para encaixar num qualquer formato pré determinado e normalizado, onde eu e uma boa parte da humanidade simplesmente, não cabemos.

 

Estou farta. Farta de lutar contra essa minha maluquice que não se ajusta ao mundo. Farta de insistir em conseguir entrar em elevadores e não sentir receio. Farta de tentar não programar a minha viagem, ficando sem saber onde virar, onde parar e onde inverter a marcha. Farta de sorrir em convívios sociais e participar em diálogos infrutíferos. E farta também, de esconder o meu rebuçado para ocultar aos olhos de quem me rodeia o meu mau estar, a minha terrível loucura.

 

E hoje lá realizei que a minha única loucura, a verdadeira e derradeira loucura, é apenas uma! Deixei o medo destruir os meus sonhos. Desisto deles um a um, porque me deixo vencer pela minha inércia. A felicidade está a um simples passo da minha vida, mas tenho tanto pavor de alcançá-la, que todo o meu corpo paralisa. A minha alma massacra-se por cada passo que o corpo não dá. Isso sim é loucura, saber que se pode ter o que se quer e não o agarrar. Saber a resposta à pergunta que nos vai excarcerar, mas mesmo assim, manter a cabeça baixa e os lábios cerrados.

 

E se alguns parecem temer sua capacidade em alcançar o sucesso eu afirmo que a minha determinação é tanto a minha maior aliada como a minha pior inimiga. Ela ajuda-me a traçar o caminho, mas puxa-me igualmente à persistência, mesmo depois do sonho já não o ser. A minha determinação não se ajusta, não se molda nem se altera perante a minha vontade. A minha determinação não me deixa desistir de tentar, mesmo quando já é tempo de abrir mão.

 

E descubro assim que afinal, o meu maior medo de todos é o medo de mim própria. O medo da minha liberdade. Calei tanta vez a minha voz em prol da quietude alheia que temo já não saber ouvi-la. Percebo assim hoje, que a minha luta está na frente errada. Os sonhos são para proteger e por eles devemos erguer todas as nossas armas. É pela felicidade que temos de dar tudo, pois para cumprirmo-nos temos de batalhar. A cada noite podemos ter novos sonhos e por isso temos todo o direito de fazer deles o que queremos. Do que não devemos desistir por nada nem ninguém é da esperança, da imaginação ou do desejo. Fazer o contrário é que é loucura. Só assim podemos desencarcerar a nossa alma, que neste passo desenfreado se sente aprisionada e vai perdendo a sua força a cada sonho que desvanece no horizonte.

 

Talvez seja afinal, tempo de abraçar esta doce loucura e apenas viver.

publicado por murimendes às 17:48

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