Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

A sobrevivência do mais apto?

 

Ontem enquanto estava a ver a estréia do novo Masterchef USA, pela primeira vez, apareceu uma concorrente cega... Não sei bem porquê, mas o meu primeiro comentário (parvo, diga-se de passagem) foi “Bem, ela até pode cozinhar muito bem, mas se a passarem, como poderá estar à altura? Os desafios, são muito rápidos e ela sem ver, não os pode acompanhar”. Felizmente, não foram necessários muitos minutos, para que reflectisse na barbaridade que me acabará de sair pela boca e chegasse à minha epifania da noite.

 

Como é que a maior parte de nós se tornou assim? Sim, porque achamos nós (uma grande parte de nós) que temos de ser assim tão implacáveis? Porque achamos nós que não podemos parar um pouco para considerar quem nos rodeia? E comentei com o Luís isso mesmo. “Esquece o que disse! Caramba, se ela é boa cozinheira e faz aquilo de alma e coração, então não deveriam apoiá-la e dar-lhe condições logísticas para que possa participar?” Não tem a ver com dar uma esmola ou vantagem sobre os outros, mas sim proporcionar a sua participação, que é tão válida como a de outro concorrente qualquer com talento.

 

Mas a verdade, é que na vida, nos deparamos a cada dia com este tipo de situações. Que na realidade nos chocam, ou no mínimo nos incomodam, mas perante as quais, nada fazemos, por haver ainda algo dentro de nós que nos faz competir pelo lugar do mais forte, desprezando e passando por cima de todos os que pudermos, a fim de alcançar o lugar mais alto do pódio, aquele que, parece ser o mais seguro.

 

E faz sentido assim ser, é instintivo, é racional ser egoísta, quando se fala em selecção natural. Mas não está certo. Se formos inteligentes quanto aos nossos instintos e emoções, veremos que não está certo. A lei do mais forte já não faz sentido, para nós humanos. Porque a nossa racionalidade e acima de tudo, a nossa inteligência, permite-nos hoje ir além deste conceito tão redutor da nossa raça. O que faz de nós seres evoluídos é essa mesma capacidade que alguns abraçam, em se superar e contrariar os seus instintos de sobrevivência para entrar no mundo da cooperação, empatia e solidariedade.

 

E não me levem a mal, mas não me estou a referir de dar dinheiro aos pobres, ou andar de cruz às costas uma vida inteira, feita de sacrifícios em prol dos necessitados. Estou a falar da verdadeira solidariedade e empatia, que somos capazes de desenvolver. Estou a falar de parar a nossa corrida, para dar a mão a quem nos está próximo. Não estou a falar em políticas e em ajudas do estado, mas em cada um de nós, ganhar a consciência, do que pode fazer a diferença, numa vida que seja.

 

Falo de parar o nosso tempo e ajudar. E não é preciso colocar a fasquia ao nível da fome mundial. Mas sim, de olharmos a nossa volta e ajudar quem está perto. De actuar no que é palpável para nós. De fazer o esforço, de nos importarmos. Basta por vezes uma palavra, um gesto, não são necessários actos de grandeza, para exercermos um efeito positivo em alguém ou em algo.

 

Porque hoje percebo. Ajudarmos alguém, no final do dia, é ajudarmo-nos a nós próprios. Abrandar um pouco e dar uma palavra de conforto, em vez de uma frase feita, quando um amigo precisa de nós, da nossa compreensão e da nossa ajuda. Porque quando paramos a nossa corrida desenfreada e realmente nos importamos, temos a oportunidade de mudar algo. Em nós e no outro, e isso é uma recompensa que não tem valor. É dar uso ao milagre da nossa existência, mesmo quando não percebemos o porquê de tanta coisa que nos rodeia e do que somos feitos. É utilizar o nosso potencial máximo em sermos humanos, no verdadeiro sentido da palavra.

 

E isso só é possível, quando renunciarmos à nossa natureza, instintiva de sobrevivência e ao modo como lhe respondemos, em forma de reactividade, para finalmente abraçar a escolha pensada, e estruturada que nos encaminha para a estrada da evolução, aprendizagem e descoberta. Todos têm esse potencial, a questão é se escolhemos ou não aplicá-lo...

 

Aproveito e deixo aqui algumas ligações que poderão achar interessantes e que quem sabe, vos ajudarão e impulsionarão a fazer algo mais, para atingirem um patamar, onde todos têm um lugar e merecem ser felizes:

 

- https://www.facebook.com/aprenderasermaisfeliz?fref=ts

- http://agendadossonhos.blogspot.pt/

- https://www.facebook.com/eOPTIMISMO?fref=ts

- https://www.facebook.com/pulsares2012?fref=ts

 

publicado por murimendes às 12:29

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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Talvez não tenha de acabar, para recomeçar

 

Posso afirmar que me parece, que desde sempre, fugi das minhas emoções. Dito e sabido, que devíamos aprender a lidar com elas, desde tenra idade. Mas dito e sabido também é, que a maior parte de nós, não beneficiou de tal aprendizagem, pois a dor, o desconforto, o medo, a ira e a raiva ou a frustração, não faziam parte do cardápio da boa educação, e como tal, fomos quase todos, convidados a deixar essa mostra de sentimentos indesejáveis, bem lá no fundo do nosso baú, na esperança que a chave se perdesse para sempre e ele não se abrisse nunca mais.

 

Dito isto, fomos criados para sermos bombas relógio... Mas com certeza, aparentemente, inofensivos e amáveis, educados, atencioso, delicados, polidos, corteses e sofisticados... Até que um dia, damos por nós de saco cheio, sem saber o que se passa ao certo, perdidos num mar de emoções que não entendemos e com as quais não sabemos lidar. Emoções estas acumuladas que nos levam a acreditar que esse é o nosso destino, que a vida nada de bom pode trazer e apenas temos de aceitar que tudo dói. Outros no entanto, perante tal desgraça, decidem fugir, fugir de tal turbilhão, na esperança de conseguir não morrer afogado, mas correndo o risco de morrer de exaustão, de tanto fazer, para não ter de enfrentar. E ainda temos, como bem conhecemos, os azedos! Os que encontram no contra ataque, a estratégia de negação perfeita, descarregando nos outros, toda a sua ira e frustração, tentando controlar as vidas alheias e culpando tudo e todos por este mundo mau em que vive.

 

Bem, como já disse, eu sou daquelas que foge. Não entendo, mete medo, parece-me que me pode derrubar, então fujo. Fujo sem parar, para bem longe. Até que dou por mim, sem mais nenhum lugar para fugir. Até que dou por mim, no meu sofá, sem saída segura possível, sem esperança de voltar a encontrar alguma réstia de bem estar em mim. Fui obrigada a parar de fugir e a olhar nos olhos do medo. E fiquei desta vez paralisada, tentada a conformar-me com a minha triste sina ao mesmo tempo que ainda vou conseguindo fazer um esforço sobre-humano para me levantar após este K.O.  avassalador.

 

Porque não faço ideia. Não faço ideia como fazer frente a esta dor, a este medo, a este vazio tão grande, a esta ausência tão profunda. Não sei como lidar com tanta raiva, tanta frustração, tanta falta de tudo. Não sei como aceitar, como sair pela saída vitoriosa de quem tem uma resposta para tudo, construtiva e positiva. As vezes queria voltar atrás e continuar a fugir, sem saber de nada. Continuar na minha dor ignorante, que neste momento, até parece ser melhor que esta nova dor, cheia de sabedoria e reconhecimento de si própria.

 

Como é que saio daqui? Não me consigo mexer, e a minha mente inconsciente relembra ao meu corpo que relembra à minha alma, a cada tentativa, que estou prestes a falhar. A ansiedade prende-me ao chão, o medo rasga-me qualquer esperança e a fé, tornou-se uma dádiva sádica, na certeza de que, isto será sempre assim. Mas quero com toda a minha alma sair daqui, já não quero entender o passado, que já pareço saber de cor e salteado. Já não quero entender mais nada, porque já levei com quase tudo. Estou perdida em mim, e a sufocar com tanta descoberta. Agora quero seguir em frente, ou para os lados, ou andar para trás... Quero é andar, seguir caminho, seja lá em que direcção for.

 

Mas quero viver. Não quero mais sobreviver. Não quero mais fugir, nem me resignar. Quero fazer frente e aparentemente é possível aprender a educar a mente a fazer o que a alma deseja. Mas não sei como. Revela-se demasiado difícil, demasiado inalcançável aos meus olhos. Convenço-me que talvez não estarei a altura do desafio. Talvez seja tarde demais para mim. Porque apesar do querer, pareço apenas ser capaz de dar passos em falso. Estou no tapete, sem forças para me levantar, ou apenas já sem vontade de levar mais golpes daqueles.

 

E talvez seja este o momento, em que tenha de largar as certezas. Talvez seja este o momento em que tenha de aceitar a duvida. Talvez seja este o momento em que tenha de me perder por completo na convicção apenas, de me voltar a encontrar algures, num sítio melhor do que este. Talvez não seja preciso ficar à espera que tudo acabe. Talvez possa recomeçar. Aqui. Agora. Talvez seja este o momento, de dar aquele tal salto e renascer, apenas e só, para viver.

publicado por murimendes às 12:13

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