Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

Quando a merda não tem fim...

 

Todo o prato que contenha um ovo estrelado, é para mim, um vencedor! Aquele ovo amarelinho, gritando pelo pão crocante, para que se junte a ele... Adoro ovo estrelado, mas por regra, começo sempre por comer tudo o resto deixando esta dádiva de Deus para o fim, de forma a prolongar a expectativa e poder acabar em grande. O que frequentemente acontece no entanto, é que depois de comer tudo o resto, começando pelo que mais me desagrada, subindo na escala, até o que mais adoro, é perder o apetite... Das duas uma, ou não como o ovo, ou já estou tão cheia que não o consigo apreciar, tal como na minha fantasia imaginária o tinha feito. Apercebi-me disso hoje, ou pelo menos constatei consciente que era isso que fazia sempre.

 

Porque é que alguns de nós insistem em mandar vir tudo o que é mau primeiro? Porque é que o “desagradável” tem de ter prioridade? Porque é que alguns de nós clamam pelas más notícias e só depois pelas boas? Faço-me entender?

 

Ok, eu sei. Dito de outra forma, limpar sanitas é simplesmente uma coisa nojenta. Não há forma de embelezar a coisa. E é verdade que, ninguém vai tomar duche primeiro para depois ir limpar a sanita. Limpar sanitas é literalmente, mexer na merda. Mesmo que não se veja, já por lá passou certamente e deixou o seu rasto. Mesmo com luvas, limpar sanitas é uma badalhoquice e ponto final!

 

Onde quero chegar então? A vida não é livre de sanitas porcas para limpar. Não há forma de ignorá-las ou conviver com uma sanita nojenta.Uma dia, de tanta trampa acumulada, algo vai rebentar. Mas limpar sanitas não pode ser a nossa vida. Não podemos querer limpar todas as sanitas num só dia, na esperança de passar o resto da semana numa casa de banho imaculada, apreciando o cheiro da limpeza. Não dá! É tão simples quanto isso. Mesmo que houvesse forma de limpar todas as sanitas do mundo, garanto-vos que amanhã, depois de amanhã ou no final da semana, todas estariam cagadas de novo...

 

Por isso, um conselho para quem o quiser e que me dou a mim mesma: não queiram limpar mais sanitas do que aquelas que são precisamente necessárias para garantir o vosso bem estar! Esqueçam a famosa frase de não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje, ou seja apliquem–na à vosso favor. Para as coisas boas. Porque não, deixar a limpeza para amanhã se não for assim tão urgente hoje? E, mudando outra vez para o prato... Porque não devorar o ovo estrelado em primeiro e deixar no prato o que não se gosta? Porque não desfrutar da vida em forma de gratidão como ela merece, em vez de um fardo? Como se de um castigo se tratasse pelo qual parecemos buscar o perdão inalcançável? Porque tratamos a vida como uma série de obrigações que se vão amontoando sem fim à vista, deixando os prazeres de tal forma adiados, que nem os conseguimos apreciar na eventualidade de conseguir gozá-los?

 

Planeiem os vossos dias, as vossas semanas, os vossos meses. Delimitem prazos. Organizem-se de forma a aproveitar as coisas boas primeiro e o que é de mau e indispensável na medida certa e na medida estritamente necessária ao presente. Fixem prioridades e ordenem os vossos afazeres. O que é que quero fazer? O que é preciso fazer? O que é mais importante para mim? Esqueçam as pressões exteriores, pensem apenas em vocês e façam o vosso plano.

 

Afinal se limparmos sanitas o dia todo, onde fica a diversão de estar vivo?

publicado por murimendes às 12:00

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3 comentários:
De Vanessa a 28 de Janeiro de 2013 às 23:30
Eu já sabia que me ia rir! No bom sentido claro!
Realmente, porque será que temos tanta dificuldade às vezes em aproveitar a vida e as suas coisas boas? Às vezes queremos tanto esvaziar os baldes cheios de nhanha que quando damos por nós já estamos cansados para fazer outras coisas, mais positivas para nós... o trabalho por exemplo - ou melhor, o trabalho quando as pessoas não gostam do que fazem - estamos sempre a tentar despachar tarefas e no fim já não temos vontade de ir correr, passear o cão ao final do dia, fazer um jantar bem feito/especial. Se calhar é mesmo má gestão do tempo e da nossa disposição.
De murimendes a 29 de Janeiro de 2013 às 16:27
Pessoalmente, não sei bem se é falta de capacidade em gerir o meu tempo se é a minha busca incessante pelo perfeccionismo, para que tudo fique imaculado à minha volta...
A verdade é que de qualquer forma, isso não é bom, porque perdemos a capacidade e a força para fazer coisas positivas e que nos animam.
Temos de saber equilibrar a balança, mas sobretudo garantir que o que fazemos é realmente necessário e realista. No final do dia temos de garantir o nosso bem estar acima de tudo :)
De Vanessa Dias a 1 de Fevereiro de 2013 às 01:11
Sim, o senhor Perfeccionismo... é um chato e um metediço. Se eu disser que deixei uma cadeira deste semestre porque descobri um erro num item de um questionário... já deve dizer muito. Mas estarmos conscientes dele já é um passo para a acção :-)

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