Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Harmonia da Vida

 

Ontem quando o Luís chegou do trabalho, aproveitamos o facto do sol ter aparecido finalmente pela tarde e agarramos no João e nos cães para ir andar pela circular. Não há nada que este miúdo goste mais do que andar ao ar livre! Ele anda na rua de dedo indicador rechonchudo em riste, vocalizando algo parecido a “teish” (seja lá o que isso for) para tudo quanto ande à volta dele. Claro que quando íamos a voltar para casa, fartou-se de ser levado pelo carrinho e fez birra para poder usar as suas pernas sozinho.

 

E lá o tirei, sabendo que iríamos demorar uma eternidade a chegar a casa e que o passeio dos cães seria a partir de agora mais tempo sentados do que a andar... Lá fomos nós de novo, andando ao sabor da vontade do minorca (que sempre que possível corre em sentido contrário para poder rir quando o apanho) e parando a cada vez que lhe apetecia palrar com as ervas, as flores, os pássaros, os mé més e tudo o que mais mexia pelo nosso caminho... Não esquecendo claro, as paragens para fazer uma festa na Teka, uma festa no Moby, um olhar deliciado na nossa direcção, e lá vamos nós!

 

E acho incrível. Incrível mesmo, o quanto é que um ser humano tão pequeno tem tanta curiosidade e se “enche” tanto com todos estes pequenos pormenores da sua vida ainda tão curta. A verdade é que logo pela amanhã quando acordamos, ele já está em pulgas para ir ver os seus amigos peludos. Depois de vestido e a caminho da cozinha ao meu colo, repetindo “papa, papa, papa”, mal acendo a luz o pequenote quer mesmo é ir para o chão, cumprimentar os 4 patas e ficar à espera com entusiasmo que os estores levantem o suficiente para confirmar que o coelho ainda está na gaiola dele. Mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos dar-lhe um despertar melhor do que esse...

 

Se há algo que eu consigo entender nesta vida, é a natureza. Por vezes acho que consigo visionar o que muita gente não tem a sorte de vislumbrar uma vida inteira. A harmonia que encontro em tudo o que vive à minha volta é de todo arrebatadora. Gostava por uns segundos, que conseguissem ver com os meus olhos, aquilo que vejo quando olho em meu redor, mas mais do que isso, gostava que sentissem o que sinto cá dentro por entender a lógica de como tudo encaixa onde deve de encaixar e de como todas as formas de vida são necessárias, importantes e maravilhosas por si só e pelo modo que dão um novo alento a cada nascer do sol.

 

Quem me dera ter palavras para vos dizer o quanto é que me sinto privilegiada por ver o que vejo, sentir o que sinto...  Mas melhor ainda, por ver no meu rebentinho de apenas 14 meses, o mesmo entusiasmo, a mesma paixão a florescer, a mesma curiosidade, admiração e espero que daqui para frente, o mesmo respeito.

 

Como vos digo, quem me dera saber, que percebem do que falo. Mas sei que são poucos os que conseguem entrar neste mundo privado, reservado a quem preservou parte da sua pureza e não teve medo de trazê-la consigo ao longo dos anos, apesar dos avisos de prioridades das gentes crescidas e do mundo globalmente atordoado pelas maravilhas da possessão... Bem, sabe-se lá de quê?!

 

Como já mencionei, não percebo grande coisa desta vida, mas disto, orgulho-me de perceber. E sei que é algo meu. Algo que me transcendente. Algo que me liberta, que me faz viver e apreciar o agora. Algo que me faz parar no tempo, ter esperança e saber que não podia viver noutro lugar que não nesse nosso planeta terra. Por isso sinto-me privilegiada por uma vez! Não sinto mais vergonha por admitir que aprecio um pôr do sol, mais do que a TV, que aprecio mais ouvir pássaros a chilrear pela manhã do que música na rádio. Aprecio mais ver ervas ao vento do que passar uma tarde num centro comercial...

 

Hoje orgulho-me de dizer, que sou afortunada por perceber isso e sentir a vida que me rodeia, como algo de simplesmente sublime. Mais orgulho sinto, de perceber que o João começa a perceber o mesmo e que não farei nada para bloquear essa singularidade da vida, por muito difícil que seja abraçar a diferença, num mundo que gosta de ter caixas quadradas e rotuladas com as variantes daquilo que é normal e aceitável para a sociedade.

 

Orgulho-me hoje de perceber que aprendi uma lição valiosa da vida, sem resultar de qualquer tipo de infortúnio e sem ter de chegar a uma fase avançada da minha idade para não poder aproveitar esse conhecimento. Por isso, quer me dera que vocês pudessem ver o mundo como eu o vejo. Com um brilho no olhar de quem aprendeu desde sempre a valorizar uma constante que se renova a cada dia e que contra tudo e todos, permanece intocável na sua grandiosidade por excelência. E esta sou eu no final do dia. Esta foi a minha luta, mas hoje já não o é mais.

 

Quem me dera que todos alcançassem este brandura, esta quietude, esta amenidade, antes de deixar morrer tudo em vocês, tudo o que vos faz ser Humanos.

publicado por murimendes às 11:02

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2 comentários:
De Vanessa Dias a 15 de Abril de 2013 às 22:20
Tinha saudade de ler =)
E que coisas boas que li. É tão bom cultivar esse espírito... de espanto por todas as coisas naturais. Estás a fazer um óptimo "trabalho" com o João, parabéns! ;) Beijinhos*
De murimendes a 17 de Abril de 2013 às 13:21
E eu cá tinha saudades de escrever! Mas isto não sai a mando :)

A natureza é a minha constante e torna tudo mais claro, nos dias escuros... Se o João tiver esse "apoio" melhor!

Ele logo perceberá a seu tempo, o que lhe traz conforto e esperança quando crescer.

Obrigada pelas palavras ;)

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