Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

Maternidade ou Felicidade?

Ouço tantas mães a descrever o que é que os seus filhos são para elas, o quanto não viveriam mais sem eles, o quanto se sacrificam e fariam tudo por eles e o quanto eles são a sua vida... Mas confesso que, nunca ouvi nenhuma descrever o que um filho fazia por ela, ficando-se a descrição, por uma ampla panóplia de constatações, em que elas próprias se perdem na vida de outrem. Talvez um pequeníssimo pormenor para muitos. Sem dúvida, um mundo de possibilidades para mim.

 

Por isso, o que é que o meu filho é para mim? A minha descendência. Um ser vivo dotado de personalidade individual que se desenvolve dia após dia, a caminho da sua independência.

 

Mas e agora... O que é que o meu filho faz por mim?

 

Se houvesse modo de explicar por inteiro, esta realidade, começaria por aqui... Um filho, faz-nos renascer. O meu filho, faz-me todos os dias querer viver para mim. Faz-me puxar por mim ao nível das minhas mais profundas entranhas. Faz-me correr em direcção às minhas metas e sair debaixo do meu manto da vergonha, onde frequentemente, os filhos acabam por ser usados como a desculpa perfeita, para deixarmos a nossa vida à porta.

 

E todos os dias, olho para este projecto de gente e aprendo. Ou melhor, reaprendo. Aquilo que todos sabemos ao inicio e que perdemos algures, no meio de tanta educação – SINCERIDADE. Já pararam para pensar, a energia gasta, não falando do tempo, que perdemos ao ser politicamente correctos e educados? Ao polir a verdade, para ser mais aceitável? O que é feito, do “não gosto de ti”?

 

Quando somos pequenos e ainda em bruto, os nossos pais educam-nos para a delicadeza. E alguns de nós, fazem disso uma arte. Somos educados, porque é respeito, mesmo quando o respeito não nos toca à nós. Baixamos o tom de voz, não respondemos nem dizemos asneiras. Não praguejamos, temos um respeito cego ao idoso como um católico a Nossa Senhora de Fátima e toda a verdade que nos sai da boca (menos conveniente), é considerada um abuso de liberdade.

 

Mas estes dias, tenho aprendido com o meu filho algo de extraordinário. Ao contrário dele, eu posso medir a força da minha tacada. Descobri que é possível, aos 34 anos (acabadinhos de fazer) ser sincera e verdadeira, sem ser mal educada, deixando o politicamente correcto de fora. A verdade, simples e crua. Sem rodeios, sem caprichos, sem manias, sem “frique froques” (na minha linguagem: pormenores da treta).

 

É porque reparem, quando alguém nos diz “não gosto de ti”, temos duas coisas a fazer – ou ficamos incomodados e perguntamos porquê ou passa-nos ao lado e seguimos caminho. Certo? SIMMMMPLLLLEEEESSSSSSSSSSSSS! Como eu gosto, sem complicar, aquilo que não tem de ser complicado. Aceitando, sem desfragmentar toda a envolvente e as circunstâncias do acontecido.

 

E que alivio! Descobrir que, afinal, podemos voltar a ser crianças, sem a rudeza de então. E se querem saber, a poupança de recursos que colocamos em ser desmedidamente educadinhos, ao ser aproveitada para nós é bem mais produtiva e proveitosa. Vai-se a ver, isto é o que aprendo com o João. Porque assim, no final do dia, caio na minha cama que nem um bebé. Cansada de tanta coisa boa que o meu dia me proporcionou e pouco preocupada com aquelas que foram desagradáveis.

 

Aprendo com o meu pestinha, a desafiar de novo a normalidade, o esperado, os limites, a autoridade, o certo e o errado. Aprendo a encarar um dia de cada vez, como um novo dia e uma nova oportunidade de aprender algo mais, mudar algo mais, largar algo mais. Aprendo a rir e a chorar. Aprendo a mudar, a ficar na mesma e a revolucionar-me.

 

Portanto, se te perguntares o que é que um filho faz por ti? Eu respondo-te – faz-te sentir viva! Faz-te querer recuperar a tua essência. Faz-te recuperar o amor que pensavas nunca ter perdido. E não deixa de ter piada, mas sempre disse que queria um filho, para deixar um pedaço melhor de mim, neste mundo. Vai-se a ver e a sua chegada é que acabou por fazer de mim a melhor pessoa que sonhava ser, neste mesmo mundo.

 

Se isso não é felicidade, então o que será?

publicado por murimendes às 16:50

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