Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Fofinha ou nem por isso?

 

A cada obrigação que deixo cair por chão, mais a minha alma se liberta. Deixando o mito da perfeição para trás e aceitando ser apenas a melhor pessoa que posso ser, é possível alcançar uma leveza de ser estrondosamente gratificante.

 

Querer estar à altura das expectativas da sociedade, da família, dos amigos e das nossas próprias exigências, pode revelar-se uma tarefa que nos destrói de dentro para fora, sem darmos realmente por isso. Perguntar-se constantemente “o que é que esperam de mim” é uma tortura chinesa! Planear o nosso dia de modo a ser um pião invisível, que se adequa as circunstâncias, agradando às multidões, é... bem, à falta de algo mais poético, uma treta das grandes!

 

E por isso decido hoje, ser menos mulher, menos filha, menos mãe, menos amiga e mais EU. Egoísta, é bem verdade. Mimada, caprichosa, resmungona, mal educada, injusta  e estúpida. Mal humorada, intransigente, amuada. Birrenta, hostil e antipática. Todas estas características que, independentemente do nosso esforço para aparentar o contrário, nos apontam como falhas de carácter profundas...

 

Ah! E que alivio! Viver para mim e menos para todos. Ser a pessoa que mais me interessa e largar o meu fado, o meu destino, a minha sina incontornável. Despeço-me deste sadismo doentio, despeço-me desta pessoa, desta mascara que nunca me serviu e parece servir a tantos.

 

Estou farta de caixas, farta de rótulos, farta de aparências e etiquetas. Farta de enganos e farta de ignorar. Farta de sorrisos amarelos, farta de mentiras. Farta de não incomodar e farta de me misturar. Farta de não sentir senão angústia e desespero, conformismo e desesperança.

 

Estou farta! Farta de ti mundo zombie, que escolhes morrer antes do dia e respirar indiferença perante a vida. A escolha é tua e cada um sabe de si, mas eu, eu saio hoje deste jogo (adequado a crianças entre os 2 e 4 anos) e arrisco-me a ascender às maiores quedas que possa ser possível dar, tentando a minha sorte na menor probabilidade. Quem sabe, um dia me calhe a cautela vencedora... Quem sabe.

 

E por isso hoje, sigo o meu caminho, a minha direcção, o meu hot spot, o meu ponto de extensão como diria a Wikipédia! Reduzo as minhas obrigações aos meus reais sonhos e às minhas reais vontades. Marquesa, sem pretensões de domínio ou de poder, eu passo a ser. E com muito gosto!

 

Porque só assim, só assim poderei descobrir-me plenamente. Só assim serei o reflexo da minha pessoa. Só assim serei fiel aos meus desejos e só assim serei feliz.

 

Ah! Esquecia-me do meu melhor: mais sarcástica!

publicado por murimendes às 15:09

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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Tudo Culpa TUA!

 

Estou apaixonada. Perdidamente apaixonada, por esta meia leca de pouco mais de ¾ de metro. A minha carcaça, como lhe gosto de chamar, devolveu um sentido à minha vida. E não porque tenha agora adquirido, uma nova tarefa em servi-lo ou um novo motivo para me ignorar a mim mesma. Não, esta carcaça de gente, veio para causar uma revolução na minha vida!

 

Eu sei que, muita gente utiliza a expressão de “príncipe” e “rei” quando se dirige aos filhos. E cada um na sua, cada um lhe dará o seu significado, mas quem me conhece, nunca me ouviu dizer tal e nem nunca o ouvirá. Passo a explicar. Quando oiço pais a chamarem os seus filhos de reis, logo me vem à cabeça, seres caprichosos, que têm direito a tudo, mas nada têm de dar. Seres que de alguma forma anulam todos à sua volta, pois eles são os únicos merecedores de todas as mordomias, atenções e bajulações. O rei exige, o rei tem...

 

Como tal, carcaça soa-me melhor... Alimenta, é rijo por fora e fofo por dentro, como uma pessoa deve ser (deixo ao vosso dispor, a interpretação do conceito subjacente). Desde que o João apareceu na minha vida (e vou ser a favor da China - apenas aqui - portanto, desde que começou a sua reprodução de células rumo à vida), sinto-me responsável por mim. Ele nunca me fez sentir como se tivesse que desaparecer, para lhe dar lugar, antes pelo contrário. O João apenas me fez sentir, que agora mais do que nunca, tinha de me assumir enquanto gente neste planeta (quase) deserto de vida, no seu sentido mais visceral.

 

Pois é carcaça. Amo-te tanto quanto odeio o que me fazes sentir. Porque andava eu a tentar passar à deriva da minha vida e chegaste tu. Chegaste para me relembrar que não vale a pena esconder-me de mim. Que não sou feita de matéria estática e não me dou bem com a mediocridade. Vieste para me lembrar todos os dias, que tenho uma grande responsabilidade para comigo, que é VIVER. É que tantas vezes eu tento fechar os olhos e andar por aí feita morta-viva, esperando que seja suficiente e que me consiga conformar com isso, como tantos outros parecem fazer resultar.

 

Mas olho para ti todos os dias e fazes-me lembrar parte de mim. Porque tu, de pequeno e inocente que és, tens o que me lembro de ter em mim. Aquilo que deixei que matassem e que no final, ajudei a matar também. Tu persistes naquilo que queres, não baixas os teus bracinhos a nada e de teimoso que és, quase que roças a estupidez, aos olhos de quem não percebe o que significa agarrar a vida com as suas próprias mãos.

E é assim que me fazes amar-te a cada dia, mais do que o anterior. Porque puxas por mim, para apenas recuperar quem sempre fui e ainda sou, em vez de arranjar mais uma desculpa para justificar a minha apatia. Puxas por mim, porque eu quero que dês continuidade àquilo que já vejo em ti, e dizem que não há nada melhor do que o exemplo. E garanto-te que o mundo será teu. Farás tudo o que quiseres e irás alcançar o céu se acreditares em ti. Garanto-te que vais viver no topo do mundo.

 

Por isso prometo. Prometo que nunca te vou deixar de amar. Porque amar-te faz renascer o melhor de mim, dá um significado a quem sou e reserva-me um lugar útil no mundo. E isso é culpa tua. Por tua causa, vou ousar tocar nas estrelas de novo.

publicado por murimendes às 15:54

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Sábado, 20 de Abril de 2013

Porque os olhos escolhem, por vezes, não ver...

À luz dos últimos acontecimentos na maratona de Boston e dos inúmeros post’s “facebookianos” e não só, sobre o porquê de todos ficarem tão chocados com os americanos e tão pouco chocados com as mortes na Syria ou noutra parte do mundo... E seguindo o meu desejo de obter respostas, para além de fazer perguntas e comentários que em nada proporcionam aprendizagem ou crescimento, perguntei-me a mim própria, porque realmente lá no fundo, pareço sentir mais a desgraça americana do que a de outros povos, geralmente, mais pobres e a morrer numa base diária.

 

E por muito que queiram deixar transparecer que os media, não dão voz aos países do terceiro mundo, ditos em vias de desenvolvimento no corrente século... A realidade é que já nos massacraram demais. Lembro-me que há uns anos atrás, via deliberadamente nas noticias a toda a hora, pessoas mortas por bombas, milícias, guerras, fome... Era a toda a hora, e a toda hora via aquelas imagens de coração destroçado, entre a injustiça e o desespero de nada poder fazer.

 

É engraçado, que sem ter graça nenhuma, também me lembro duma aula de comunicação que tive, enquanto estava a tirar a minha licenciatura em marketing. E era muito simples. Falávamos de tácticas publicitárias e de estilos de mensagem. Esta coisa de se fazer boa publicidade, tem muito que se lhe diga e abordamos naquele dia as mensagens “duras”. O que retirei daquele ensinamento foi tão simples quanto isto: quando queremos transmitir uma mensagem, temos de avaliar o impacto dela no receptor.

 

Assim, se queremos apelar a algum perigo (seja consumo de droga, condução, álcool, tabaco), é preciso ter cuidado com a mensagem. Porque mensagens demasiado “pesadas” irão ter um efeito de indiferença. Porquê? Porque a nossa mente, valha-nos Deus..., tem uma missão apenas. Defender-nos do perigo e do sofrimento. E quando fazem uma publicidade para apelar à segurança na estrada em que colocam uma família feliz de viagem a espetar-se num camião e a morrer toda, o sofrimento brutal que causa psicologicamente nalguns cérebros, faz com que a mensagem seja desvalorizada e ignorada, a bem da preservação da nossa sanidade mental. A exposição a situações chocantes não nos torna insensíveis, faz com que nos protejamos da violência psicológica que nos provoca. Se os olhos não vêm, o coração não sente certo? Aqui não é diferente.

 

Como tal, e voltando ao assunto inicial, porque é que parecemos “importarmo-nos” mais com as explosões de Boston? E cada um que refere isso, como se o resto do mundo fosse insensível ou supérfluo, olhe bem para dentro de si e pense a sério no assunto... Porquê? No meu ponto de vista resume-se a isto: em Boston, tivemos 3 mortos e 176 feridos. E com isto eu posso bem, posso permitir-me sentir a perda de três pessoas e das suas famílias. Posso permitir-me sentir a aflição de 176 feridos, mesmo que alguns amputados, mas que terão o melhor apoio possível, para recuperar as suas vidas depois deste incidente. Porque vivem num país  com um potencial enorme, que dá oportunidades a todos e que tem cuidados médicos desenvolvidos que lhes devolverá a vontade de viver quase tal e qual como era antes.

 

Nos países pobres? Vejo guerras, pessoas mutiladas todos os dias, pessoas que morrem sem causa, crianças com fome e sem cuidados básicos de saúde. Vejo milhares e milhares de humanos a caírem que nem tordos, sem ninguém parecer querer ou sequer poder fazer nada contra isso. Vejo dor e sofrimento nos olhares daquelas gentes. Vejo o vazio que lhes percorre a alma e vejo a esperança que há muito se desvaneceu. E isto parte-me o coração, tentar sentir a dor de milhões de pessoas no mundo, é simplesmente lancinante. Morrem a cada minuto no mundo, 5 crianças com fome, num dia são 7200 crianças por dia, 50400 crianças por semana... Com isto eu não consigo viver. Com isto, sujeito a minha mente a um sofrimento excruciante, o qual se estivesse presente na minha mente de facto, iria retirar-me qualquer fé na humanidade e validade na beleza de se estar viva.

 

E é por isso, que me comove, 3 mortos e 176 feridos. E por isso que já nem vejo, já nem me sujeito a saber, quantos morrem à fome, quantos morrem em atentados à bomba diariamente, quantos perdem à vida porque uma vacina é um luxo, quantos são vitimas do comércio ilegal de armas, quantos sucumbem às drogas, quantos são explorados na indústria dos diamantes.

 

Se querem começar por algum lado, comecem por estar gratos com a vida que têm e sobretudo com a comida do prato, o acesso ao SNS mesmo que decadente (para os nossos níveis de exigência de um mundo evoluído), ainda dão vacinas contra o sarampo, a varicela o tétano, tuberculose e meningite. Estejam gratos pelo tecto que tem, canalização, rede de esgotos, gás canalizado e electricidade. Pelos vossos frigoríficos, micro ondas e máquinas de lavar roupa. Pelo vosso sofá e a vossa TV. Pelas Aspirinas que lutam contra a dor de cabeça. Pelos anéis de noivados. Por saberem escrever e ler. E penso que não preciso ir mais longe...

 

Chega de hipocrisia e de inocência ignorante! O mundo é como é porque nós decidimos ser como somos. Bem que o “outro” dizia, para sermos a mudança que queríamos ver no mundo. Mas aí, parece, que o louco sonhador era ele...
publicado por murimendes às 12:53

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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

O Pulsares no Facebook!

https://www.facebook.com/pulsares2012?ref=hl

 

publicado por murimendes às 11:52

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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

E quando precisar, estarás lá para mim?

É verdade que estas palavras poderão não ser amigas ou convenientes para se escreverem, mas não posso esquecer nunca o real motivo que me levou a começar a escrever... Escrever iniciou o meu caminho para o meu “eu” mais profundo, para desvendar o meu real ser, para “largar” o que já não precisava carregar nos meus ombros.

 

Mas na realidade, quando estas palavras começam a ser lidas pelo exterior, é difícil não pensar duas vezes no que se escreve, e no impacto que poderá ter em quem as absorve. Dizem que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro. Mas no final do dia, a nossa liberdade é nossa e se estivermos constantemente preocupados no espaço de liberdade de quem nos rodeia, damos por nós a deixar de ter espaço próprio e a viver para agradar e dar liberdade a todos menos a nós mesmos.

 

A verdade mais uma vez, é que consegui uma coisa para mim fantástica, que foi levar conforto a quem lê e se revê, aprende algo mais e cresce, resolve-se dentro de si e se liberta. E isso supera tudo o que nem imaginei, mas algum dia poderia tentar imaginar. E gosto, gosto de falar com quem me rodeia, levando conforto, esperança e palavras de carinho. Gosto de enaltecer as possibilidades por detrás dos sonhos. Gosto de dar a certeza que tudo é possível, quando eu própria vivo na agonia de duvidar de mim própria, das minhas opções, dos meus sonhos, da minha vontade e das minhas capacidades... Gosto de abrir caminhos e oferecer segurança.

 

Mais que tudo, distribuo pensos rápidos por onde passo. Tenho em mim uma fábrica de produção que eu achava ser inesgotável; mas afinal acaba; que gosto de colocar carinhosamente em cada ferida alheia que vejo. E vejo que estes pensos são bem recebidos e são muitas vezes, dissimuladamente para ambos, pedidos e oferecidos. E eu nunca me importei de dá-los, porque tenho muitos e a minha ferida parece demasiado grande para ser tapada pelos meus pensos. A minha ferida precisa de um penso de ultima geração, que eu não pareço ter ainda...

 

E dou, dou tudo o que tenho e nunca pedi em troca. Até que dei comigo a chorar um dia e a pensar, mas afinal, quem me conforta a mim? Quem é que me dá um penso? Quem é que se preocupa em devolver o que leva? Porque eu não sou de ferro, e de vez em quando também gostava de receber um penso, gostava de poder ser tratada carinhosamente da mesma forma que o faço. Gostava que alguém, sem ser eu, tomasse conta de mim por alguns segundos e me dissesse que tudo ia correr bem, que sonhar é permitido. Que a esperança nos eleva além da realidade absoluta. Gostava de saber que não tenho de ser eu a fazer tudo ou talvez seja a minha sede de tentar comprovar-me que não preciso de ninguém para fazer tudo, chegando à triste conclusão ou ilusão, que afinal não sou capaz sozinha...

 

Enfim, o que eu gostava, era de acreditar que se por breves segundos perdesse as minhas forças, a minha fé, que alguém estaria lá a dar-me a mão e a puxar por mim para chegar à meta final. Mas não sinto, nunca senti. A maioria parece mesmo estar preocupada com a sua própria vitória, sem se preocupar se os outros chegam lá ou não. E isso faz-me sentir só, faz-me sentir desamparada...Parece que apenas eu estou lá para me pôr de pé, no limite. Ninguém me parece dar mais força do que eu para me erguer de novo. Talvez esteja a ser injusta, talvez egoísta, talvez não esteja a ver com clareza... Talvez seja feita de uma natureza impossível de consolar ou de dar alento.

 

Não sei. Mas sei que provavelmente deverei começar a dar menos pensos, avaliar melhor a quem os dou e se os merecem. Porque eu também tenho feridas, eu também quebro, mais vezes até do que desejaria, e também preciso de pensos. Porque a verdade, a verdade é que dar pensos de qualidade, esgota, puxa por nós, tira-nos uma energia valiosa. Para dar pensos de qualidade é preciso abdicar dum pouco de nós, é preciso pôr-se no lugar do outro e sentir a sua dor por alguns segundos. Só assim conseguimos dar pensos de jeito.

 

E por isso, talvez esteja mesmo na hora de guardar mais pensos para mim, quando tão poucos parecem dispensar dos seus ou apenas dão dos mais baratos (daqueles que nem para eles servem), que num primeiro contacto com a água, se perdem e nos deixam a ferida ainda mais fragilizada do que se não tivéssemos lá tido nada à partida...

publicado por murimendes às 10:43

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Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Harmonia da Vida

 

Ontem quando o Luís chegou do trabalho, aproveitamos o facto do sol ter aparecido finalmente pela tarde e agarramos no João e nos cães para ir andar pela circular. Não há nada que este miúdo goste mais do que andar ao ar livre! Ele anda na rua de dedo indicador rechonchudo em riste, vocalizando algo parecido a “teish” (seja lá o que isso for) para tudo quanto ande à volta dele. Claro que quando íamos a voltar para casa, fartou-se de ser levado pelo carrinho e fez birra para poder usar as suas pernas sozinho.

 

E lá o tirei, sabendo que iríamos demorar uma eternidade a chegar a casa e que o passeio dos cães seria a partir de agora mais tempo sentados do que a andar... Lá fomos nós de novo, andando ao sabor da vontade do minorca (que sempre que possível corre em sentido contrário para poder rir quando o apanho) e parando a cada vez que lhe apetecia palrar com as ervas, as flores, os pássaros, os mé més e tudo o que mais mexia pelo nosso caminho... Não esquecendo claro, as paragens para fazer uma festa na Teka, uma festa no Moby, um olhar deliciado na nossa direcção, e lá vamos nós!

 

E acho incrível. Incrível mesmo, o quanto é que um ser humano tão pequeno tem tanta curiosidade e se “enche” tanto com todos estes pequenos pormenores da sua vida ainda tão curta. A verdade é que logo pela amanhã quando acordamos, ele já está em pulgas para ir ver os seus amigos peludos. Depois de vestido e a caminho da cozinha ao meu colo, repetindo “papa, papa, papa”, mal acendo a luz o pequenote quer mesmo é ir para o chão, cumprimentar os 4 patas e ficar à espera com entusiasmo que os estores levantem o suficiente para confirmar que o coelho ainda está na gaiola dele. Mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos dar-lhe um despertar melhor do que esse...

 

Se há algo que eu consigo entender nesta vida, é a natureza. Por vezes acho que consigo visionar o que muita gente não tem a sorte de vislumbrar uma vida inteira. A harmonia que encontro em tudo o que vive à minha volta é de todo arrebatadora. Gostava por uns segundos, que conseguissem ver com os meus olhos, aquilo que vejo quando olho em meu redor, mas mais do que isso, gostava que sentissem o que sinto cá dentro por entender a lógica de como tudo encaixa onde deve de encaixar e de como todas as formas de vida são necessárias, importantes e maravilhosas por si só e pelo modo que dão um novo alento a cada nascer do sol.

 

Quem me dera ter palavras para vos dizer o quanto é que me sinto privilegiada por ver o que vejo, sentir o que sinto...  Mas melhor ainda, por ver no meu rebentinho de apenas 14 meses, o mesmo entusiasmo, a mesma paixão a florescer, a mesma curiosidade, admiração e espero que daqui para frente, o mesmo respeito.

 

Como vos digo, quem me dera saber, que percebem do que falo. Mas sei que são poucos os que conseguem entrar neste mundo privado, reservado a quem preservou parte da sua pureza e não teve medo de trazê-la consigo ao longo dos anos, apesar dos avisos de prioridades das gentes crescidas e do mundo globalmente atordoado pelas maravilhas da possessão... Bem, sabe-se lá de quê?!

 

Como já mencionei, não percebo grande coisa desta vida, mas disto, orgulho-me de perceber. E sei que é algo meu. Algo que me transcendente. Algo que me liberta, que me faz viver e apreciar o agora. Algo que me faz parar no tempo, ter esperança e saber que não podia viver noutro lugar que não nesse nosso planeta terra. Por isso sinto-me privilegiada por uma vez! Não sinto mais vergonha por admitir que aprecio um pôr do sol, mais do que a TV, que aprecio mais ouvir pássaros a chilrear pela manhã do que música na rádio. Aprecio mais ver ervas ao vento do que passar uma tarde num centro comercial...

 

Hoje orgulho-me de dizer, que sou afortunada por perceber isso e sentir a vida que me rodeia, como algo de simplesmente sublime. Mais orgulho sinto, de perceber que o João começa a perceber o mesmo e que não farei nada para bloquear essa singularidade da vida, por muito difícil que seja abraçar a diferença, num mundo que gosta de ter caixas quadradas e rotuladas com as variantes daquilo que é normal e aceitável para a sociedade.

 

Orgulho-me hoje de perceber que aprendi uma lição valiosa da vida, sem resultar de qualquer tipo de infortúnio e sem ter de chegar a uma fase avançada da minha idade para não poder aproveitar esse conhecimento. Por isso, quer me dera que vocês pudessem ver o mundo como eu o vejo. Com um brilho no olhar de quem aprendeu desde sempre a valorizar uma constante que se renova a cada dia e que contra tudo e todos, permanece intocável na sua grandiosidade por excelência. E esta sou eu no final do dia. Esta foi a minha luta, mas hoje já não o é mais.

 

Quem me dera que todos alcançassem este brandura, esta quietude, esta amenidade, antes de deixar morrer tudo em vocês, tudo o que vos faz ser Humanos.

publicado por murimendes às 11:02

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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

Se o sangue não te corre nas veias...

 

Parece-me que a pior crise que este país e este mundo vivem é a crise de valores ou prioriades, como lhe quiserem chamar. Daqueles que têm e querem mais ainda sem olhar a meios e daqueles que não têm, mas acham-se no direito de ter e pior ainda, maldizem daqueles que têm aquilo que eles próprios desejam... Mas que filosofia de vida está a nascer hoje em dia, ou deverei dizer, desde sempre? Tanto se fala na irracionalidade animal e na sua falta ou não de sentimentos e ninguém ainda olhou bem para si próprio, constatando a (falta de) emoção que deveria correr-lhes nas veias, justificando-a pelo mundo frio e cruel que nos assola a cada dia.

 

Alguém já se lembrou de simplesmente viver? Viver, sim! Viver, sentir, deixar um pouco de si em tudo o que faz. Parar de reclamar a toda a hora daquilo que não lhe dão e agarrar-se com unhas e dentes àquilo que faz o seu corpo tremer? Alguém? Eu também gostava de muita coisa, mas aprendi que se quero então tenho de trabalhar para isso. E aprendi que não é o governo, a troika ou o BCE que me vão dar o que quero. Aprendi que o mundo, todos os dias gira da mesma forma e que o Sol ainda aparece a cada manhã e desaparece a cada anoitecer. Aprendi que destino só existe aquele que eu traçar. E sim, estamos condicionados às voltas que a terra dá, mas dentro desta condição, ainda existem muitas opções que só a nós cabe tomar.

 

Todos temos de procurar encaixar onde há espaço para nós ou criar um espaço novo e desenvolvermo-nos nele. Não vale a pena gritar que queremos aquele lugar, se não há modo de caber nele... Não vale a pena chorar até conseguir ou lamentar-se de má sorte... Vale a pena erguer-se, lutar e alcançar o nosso oásis, com a nossa determinação, nunca perdendo a fé e a esperança, fechando a porta à segurança e enfrentando as trevas do incerto. Vivemos num  mundo que muda a cada dia que passa e somos responsáveis por escolher se entramos no comboio ou se ficamos parados à espera "do" comboio que...

 

Viajar em 1ª classe deve ser bem confortavel, seguro e aconchegante, mas a vida só comporta um dia: HOJE. Pois é, a vida é hoje, agora, neste preciso momento. Vão escolher ficar à espera das vossas condições ideais ou vão dar o passo? Eu cá decido finalmente, dar o passo para o abismo. Sabendo que tudo irá correr bem, porque sou capaz de me adaptar ao que o acaso me atirar. Decido que sonhar é viver e viver é amar. Mais nada. Apenas isso importa. Tudo o resto advém daí e tudo o resto um dia será meu, até que descubro, a cada dia, que o que tenho já é meu.

 

Para viver, é preciso transpirar paixão. Só assim a nossa presença tem significado, só assim poderemos deixar a nossa marca, só assim tudo vale a pena.

 

Como diria a Dory "basta nadar, basta nadar..."

publicado por murimendes às 15:06

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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Já sorriram hoje?

publicado por murimendes às 15:33

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Sexta-feira, 22 de Março de 2013

31 Dias Para a Felicidade!

 

 

Este é um desafio que tem como objectivo contribuir para que qualquer pessoa possa investir na sua Felicidade e Bem-estar - dois elementos fundamentais para uma vida bem vivida, equilibrada e saudável. A iniciativa surgiu como forma de comemorar o Dia Internacional da Felicidade, decretado pela ONU (pode saber mais sobre este dia aqui), através da página de Facebook “Projecto Aprender a Ser Feliz”, que conta actualmente com cerca de 2700 pessoas fantásticas, ligadas pelo mesmo objectivo: encontrar formas de promover a felicidade.


O Desafio “31 Dias Para a Felicidade” está a ser desenvolvido pela autora da página “Projecto Aprender a Ser Feliz”, Vanessa Dias, licenciada em Ciências Psicológicas, com formação curricular em Psicologia Positiva, e actual mestranda de Psicologia Social e das Organizações, no ISCTE-IUL.

 

Saibam tudo em http://31diasparaafelicidade.blogspot.pt/ e sejam felizes ;)

publicado por murimendes às 09:33

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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Parar é Viver

Gostava de ser invisível. Andar por aí, sem ser alvo de criticas, de julgamentos. Sem ser comparada a um qualquer padrão pré-concebido, que representa o correcto, o que tem de ser. Gostava de viver livre, como se tivesse a capa da invisibilidade do Harry Potter. Não para poder observar os outros sem que eles me vissem, mas sim para poder ser eu, sem que os outros me vissem.

 

Porque quando me imagino a colocar a minha capa, imagino-me a ser quem verdadeiramente sou. Posso ser eu, aquela pessoa cheia de vida e alegria. Cheia de sonhos e esperanças. A criança que por vezes quer sair, mandando tudo e todos à fava, dançando à chuva de braços abertos. Posso ser eu e parar. Parar para respirar. Parar para chorar. Parar para viver. Parar para rir. Parar porque posso.

 

Vivi grande parte da minha vida sempre a correr, não sei bem para onde ou porquê, mas a única certeza que ainda me restava, era que parar seria morrer. Corri tanto, que deixei de perceber do que é que fugia, mas sabia que não queria que ninguém me visse. Fingi aceitar, integrar-me e gostar. Fingi ser o que não era de tal forma que perdi algures quem era. E esperei, esperei em vão que alguém me fizesse parar. Alguém que me dissesse que podia abrandar, que não fazia mal, que não era menos por isso.

 

Contive o choro que insistia em querer escapar. Queria tanto ter aquela capa... E à falta dela, acabei por colocar uma mascara. Ninguém me disse que podia parar... Ninguém me disse que podia parar... Ninguém me disse que podia parar e só consigo sentir raiva. Só consigo sentir raiva. Estou tão zangada! Tão zangada por ninguém ter visto que deixei de ser eu. Zangada! Porque ninguém me disse que podia parar! E este ódio consome a minha alma. Esta raiva que aprisionei, tornou-me uma pessoa amarga, triste e desiludida. Porque é que ninguém me disse que estava tudo bem? Que não fazia mal parar um pouco?

 

E percebo hoje, que não podemos ficar à espera que alguém nos diga que podemos parar. Nós é que temos de saber quando o devemos fazer, mas acima de tudo, nós é que devemos aprender, que podemos parar. É permitido parar sim! É permitido parar para sermos quem somos, para sermos exactamente a pessoa que nascemos para ser. Era bom que alguém nos colocasse a mão no ombro e nos dissesse baixinho que está tudo bem, mas o que realmente não nos deixa parar, é a nossa própria voz. Sei que era mais fácil, se alguém nos dissesse constantemente o que queríamos ouvir, alguém que nos apoiasse na decisão e a validasse perante os nossos receios. Mas a vida não é assim. Ninguém vai parar, para nos dizer que podemos parar.

 

Por isso, digo-vos eu, aqui e agora. PODEM TODOS PARAR! Porque ontem, ontem parei 3 minutos no carro quando cheguei a casa. Estava a dar uma música que gostava no rádio e decidi parar para ouvi-la. Encostar a cabeça no banco, respirar e apreciar, ao mesmo tempo que a cantava alegremente à mistura com algumas lágrimas de alivio, por ter parado. Hoje parei, parei quando tropecei num balão do João, que estava no chão da sala. Tropecei nele e comecei a brincar, atirando ao ar, dando-lhe pontapés e brincando como se tivesse 5 anos de idade...

 

Por isso parem! Por favor, parem! Parem sempre que quiserem, sempre que precisarem. Vistam a capa da invisibilidade. Ignorem o mundo à vossa volta. Ignorem as vozes que se confundem entre a vossa própria voz e as do exterior, que repetem e insistem em querer criar um protótipo de humano sem alma, sem vida e sem alegria, a bem de uma sociedade silenciosa, despreocupada, aparentemente tranquila e agonizantemente adormecida. Gritem, zanguem-se, sejam inconvenientes. Ajam. Façam. Preocupem-se. Ajudem. Mas por favor, vivam.

 

E parem! A vida não tem semáforos, stop’s ou policias sinaleiros. Melhor ainda. Somos livres de parar onde e quando quisermos. Somos livres de escolher porque é que queremos parar. Quando quiserem, cubram-se com a capa da invisibilidade, mas tirem as mascaras. Sintam apenas a liberdade de parar. Parar para respirar. Apreciem apenas a liberdade de viver. Viver inspirados. Não receiem nunca, ser a pessoa que nasceram para ser.

Já agora, estava a dar isto no rádio ;)
http://www.youtube.com/watch?v=ekzHIouo8Q4
publicado por murimendes às 14:22

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